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As organizações da sociedade civil (OSC) em Moçambique são chamadas a assumir um papel mais proactivo, inovador e próximo dos cidadãos, num contexto marcado por rápidas transformações sociais, políticas e tecnológicas.
Elísio Nuvunga
O apelo foi lançado, semana finda, em Maputo, por Hermenegildo Mundlovo, durante o terceiro e último workshop regional (zona sul), promovido pelo Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), no âmbito da iniciativa de reforço de capacidades para uma influência política inclusiva, participação digital e promoção da reconciliação.
O encontro, que terminou na última quinta-feira (30 de Abril), visava dotar as OSC de ferramentas práticas para uma intervenção mais eficaz na governação, com destaque para o uso de plataformas digitais e estratégias inovadoras de engajamento cívico.
Segundo Mundlovo, a formação surge também como resposta às recentes manifestações sociais, que evidenciaram fragilidades na ligação entre a sociedade civil e os cidadãos.
“As pessoas foram às ruas apresentar as suas reivindicações sem recorrer aos canais formais ou à própria sociedade civil. Isso mostra que precisamos de nos reinventar e estar cada vez mais próximos do cidadão”, afirmou.
Para Mundlovo, o crescente uso de plataformas digitais na mobilização social demonstra que os modelos tradicionais de comunicação já não são suficientes.
“As tecnologias oferecem uma oportunidade para ultrapassar barreiras geográficas e sociais, permitindo uma participação mais ampla e inclusiva”, sublinhou, acrescentando que a forganização que dirige aposta fortemente na componente de cidadania digital.
Outro desafio identificado prende-se com a necessidade de respostas rápidas da sociedade civil face à dinâmica legislativa. Mundlovo alertou que propostas de lei nos sectores da indústria extractiva, petróleo, minas e conteúdo local foram submetidas à Assembleia da República em regime de urgência, exigindo maior capacidade de mobilização e articulação das organizações da sociedade civil (OSC).
“Apelamos à criatividade da sociedade civil no uso de tecnologias que permitam, em pouco tempo, envolver organizações em todo o país na discussão destas propostas, podendo ser por via virtual, como o WhatsApp, garantindo a recolha de diferentes perspectivas”, explicou o director executivo do IMD.
OCS com papel central na promoção da paz e coesão social
No mesmo evento, Álvaro García, da Agência Catalã de Cooperação e Desenvolvimento (ACCD), em representação dos parceiros, destacou que o actual contexto global de financiamento ao desenvolvimento exige uma reflexão profunda sobre o papel e o funcionamento das OSC.
“É um momento desafiante que obriga a repensar como trabalhar e agir, inclusive sem dependência directa de projectos financiados”, afirmou.
García defendeu que as plataformas da sociedade civil devem assumir um papel de articulação e canalização de iniciativas locais, mais do que apenas execução de projectos. Citando exemplos da Catalunha e de Espanha, destacou o papel histórico da mobilização social na construção de políticas públicas, incluindo legislações sobre violência de género.
Por sua vez, Inês Pestana, representante da União Europeia, sublinhou o papel central da sociedade civil na promoção da paz e coesão social, reiterando o compromisso da organização em apoiar a sociedade civil moçambicana, destacando que a parceria é fundamental para promover direitos humanos, justiça social e prevenir novos ciclos de violência.
“As organizações comunitárias conseguem chegar onde muitas vezes o Estado não chega, transformando tensões em oportunidades de diálogo. O workshop é mais do que uma formação. É um espaço de construção de redes e de partilha de experiências entre actores comprometidos com a reconciliação nacional”, concluiu.



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