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Os moto-taxistas que operam no município do Dondo, na província de Sofala, acusam a Polícia Municipal de protagonizar cobranças ilícitas, apreensão arbitrária de motorizadas e agressões físicas durante operações de fiscalização. Segundo os operadores, as acções policiais, que deveriam servir para garantir a ordem e a legalidade da actividade, transformaram-se numa fonte permanente de intimidação e prejuízos financeiros.
Jossias Sixpence – Beira
De acordo com os moto-taxistas ouvidos pelo Evidências, algumas cobranças exigidas pelos agentes chegam a atingir sete mil meticais, sem que exista qualquer fundamento legal ou documento que justifique os valores exigidos.
Os operadores afirmam que, apesar de muitos exercerem a actividade com licenças emitidas pelas autoridades municipais, continuam a ser alvo de perseguições e apreensões de motorizadas durante as fiscalizações.
“Mesmo quando temos documentos, continuamos a ter problemas. Muitas vezes o objectivo já não parece ser fiscalizar ou organizar a actividade, mas sim encontrar formas de tirar dinheiro aos operadores”, afirmou um dos moto-taxistas.
Os operadores questionam igualmente a forma como algumas operações são conduzidas e criticam o comportamento de determinados agentes, alegando falta de profissionalismo e de capacidade para lidar com o público. Para Manuel Dias, um dos moto-taxistas entrevistados, a postura dos agentes levanta dúvidas entre os operadores.
“Às vezes até ficamos com dúvidas se os agentes recebem salário ou não, porque esta atitude não se justifica para alguém que no fim do mês recebe um ordenado pago também pelos nossos impostos. Pela forma como somos tratados, parece que o objectivo é apenas castigar-nos”, afirmou.
Segundo os operadores, em muitos casos os agentes não chegam sequer a verificar a documentação dos condutores ou o estado das motorizadas, concentrando-se apenas na aplicação de multas e apreensões.
Para além das alegadas cobranças ilícitas, os moto-taxistas acusam a Polícia Municipal de recorrer frequentemente à violência física durante as fiscalizações. Marcos António relata um episódio ocorrido recentemente durante uma operação no mercado local.
“Um jovem foi empurrado por um agente contra as bancas e acabou por cair, provocando a quebra de garrafas e outros produtos que estavam expostos. A população ficou revoltada com a situação e só acalmou depois da chegada de um superior, que acabou por assumir os prejuízos causados”, contou.
Outra das reclamações dos operadores está relacionada com a presença dos agentes junto aos semáforos, sobretudo nos principais cruzamentos do município. Segundo os moto-taxistas, muitos passaram a evitar parar nos sinais luminosos por receio de serem abordados ou alvo de esquemas destinados à cobrança de valores ilegais.
“Quando paramos no sinal vermelho, muitas vezes somos imediatamente abordados pelos agentes. Por isso, muitos colegas já encaram os semáforos como armadilhas montadas para extorquir dinheiro aos operadores”, afirmou Marcos António.
Polícia rejeita acusações
Contactado pelo Evidências, o comandante da Polícia Municipal do Dondo, Filipe Gonsalves, rejeitou as acusações de agressão e cobranças ilícitas, garantindo que a corporação actua dentro dos limites da lei e no cumprimento das suas responsabilidades de fiscalização.
Segundo o comandante, as intervenções da polícia visam garantir a ordem, a segurança rodoviária e o cumprimento das normas municipais que regulam a actividade de transporte por moto-táxi.
“A Polícia Municipal não pauta a sua actuação pela agressão, mas sim pelo trabalho de fiscalização. Em alguns momentos registam-se situações de agitação por parte dos moto-taxistas, o que pode culminar com a apreensão de alguns meios como forma de reposição da ordem”, explicou Filipe Gonsalves.
Apesar das garantias das autoridades, os operadores defendem a necessidade de uma maior fiscalização interna da actuação dos agentes e de mecanismos que permitam denunciar alegados abusos sem receio de represálias.
Para os moto-taxistas, a actividade continua a representar uma das poucas fontes de rendimento para centenas de jovens no município do Dondo, razão pela qual apelam ao diálogo entre as autoridades e os operadores para evitar o agravamento do clima de tensão que se vive actualmente no sector.



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