GIFiM: Agências de viagens sob suspeita de branquear cerca de 918 milhões de dólares

DESTAQUE ECONOMIA
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O Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM) identificou fortes indícios de que empresas do sector de agenciamento de viagens e turismo estão a ser utilizadas como fachada para esquemas de branqueamento de capitais, exportação ilícita de fundos e fraude fiscal. A conclusão consta de um relatório de Análise Estratégica do órgão regulador, que auditou um fluxo financeiro impressionante de aproximadamente 918 milhões de dólares operado num intervalo de quase quatro anos, entre Janeiro de 2022 e Setembro de 2025.

De acordo com o documento técnico, o modus operandi passava pela recepção de elevadas quantias monetárias pelas agências de viagens, recorrendo massivamente a depósitos em numerário que chegavam a atingir a fasquia diária de pelo menos 378 mil dólares. Posteriormente, estes fundos eram canalizados, de forma fraccionada através de transferências bancárias, para contas sediadas em território nacional que pertencem a uma organização internacional não identificada, a qual servia de plataforma final para encaminhar o dinheiro para o estrangeiro. A investigação determinou que o volume transaccionado em espécie é totalmente incompatível com a natureza da actividade e com o volume de negócios real destas companhias.

O rastreio financeiro levado a cabo pelo regulador foi sustentado pelo processamento minucioso de 83 Comunicações de Operações Suspeitas e quatro Comunicações de Actividade Suspeita, além de milhares de transacções adicionais e de limiares, que culminaram na emissão de oito Relatórios de Informação Financeira. Os dados dão conta de uma tendência de crescimento progressivo nestas movimentações ilícitas, sendo que apenas nos primeiros nove meses de 2025 o esquema logrou movimentar cerca de 223 milhões de dólares. No total, foram sinalizadas 17 agências de viagens e turismo a operar a partir da cidade de Maputo e das províncias de Nampula e Cabo Delgado com ligações directas a esta rede de transferência.

A devassa do gabinete financeiro expôs ainda outras irregularidades operacionais graves, como a utilização de contas bancárias pessoais de trabalhadores e gestores seniores das agências para movimentar avultadas somas em nome das empresas sob o pretexto de pagamentos operacionais, uma manobra usada para ludibriar o fisco e ocultar a verdadeira rota do dinheiro. Foram igualmente identificadas empresas presumivelmente fictícias que registavam fluxos milionários sem qualquer evidência de prestação de serviços reais, bem como agências recém-constituídas que apresentavam perfis transaccionais desajustados para novos operadores de mercado. Ante o cenário de vulnerabilidade e a suspeita de crimes que englobam a falsificação de documentos, a instituição recomendou a imposição urgente de limites às operações em numerário, auditorias regulares ao sector e uma fiscalização mais agressiva por parte da Autoridade Tributária.

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