Confiança das empresas regista queda pelo oitavo trimestre consecutivo, segundo o INE

DESTAQUE ECONOMIA
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A confiança das empresas voltou a deteriorar-se no segundo trimestre de 2026, prolongando para oito trimestres consecutivos a tendência de queda do clima económico em Moçambique. De acordo com os dados mais recentes do Indicador de Clima Económico (ICE), divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e citados pela Lusa, o índice que mede o sentimento do patronato registou um novo abrandamento face ao trimestre anterior, descendo de 88,0 para 87,2 pontos. Com este resultado, o indicador permanece bem abaixo da média histórica e muito próximo dos níveis mais baixos observados nos últimos anos no país.

Segundo a análise do órgão estatístico nacional, este recuo contínuo foi influenciado, sobretudo, pela estagnação das perspectivas de emprego, anulando o impacto da melhoria gradual que se fez sentir nas expectativas em relação à procura. A trajectória descendente da confiança empresarial arrasta-se desde o terceiro trimestre de 2025, altura em que o indicador se situava nos 89,8 pontos. No quarto trimestre daquele ano, o índice desceu para 88,7 pontos, recuando novamente para 88,0 pontos nos primeiros três meses de 2026, até fixar-se nos actuais 87,2 pontos.

Do ponto de vista sectorial, a produção industrial e o comércio continuam a ser os sectores que mais pesam negativamente sobre o clima económico geral. A confiança na indústria manteve a tendência de deterioração que já vinha do trimestre anterior, enquanto o sector do comércio registou o seu terceiro trimestre consecutivo de queda. Em sentido inverso, o sector dos serviços apresentou uma ligeira recuperação da confiança, mantendo uma tendência positiva que se observa desde o último trimestre de 2025.

Apesar deste cenário de desconfiança, as perspectivas de procura pelos clientes registaram melhorias pelo terceiro trimestre consecutivo, com o respectivo indicador a subir de 90,7 para 91,5 pontos entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, embora continue abaixo da média da série histórica. Por sua vez, as expectativas de contratação e emprego mantiveram-se inalteradas pelo terceiro trimestre consecutivo nos 80,8 pontos, reflectindo uma estabilidade que resultou de avaliações mais favoráveis nos serviços e no comércio, as quais compensaram a evolução menos positiva registada na produção industrial.

No que toca à evolução dos preços, o indicador das perspectivas de preços de bens e serviços registou uma evolução favorável pelo segundo trimestre consecutivo. O saldo desta rubrica aumentou de 100,4 para 102,6 pontos, conseguindo ultrapassar a média histórica e invertendo, finalmente, a tendência desfavorável que se vinha a registar desde o segundo trimestre de 2025.

No entanto, o relatório do INE acende também um sinal de alerta ao revelar um agravamento substancial dos constrangimentos enfrentados pelas empresas no dia-a-dia. No segundo trimestre de 2026, cerca de 49,8% das empresas inquiridas afirmaram ter enfrentado algum tipo de obstáculo ao normal desenvolvimento da sua actividade, um aumento visível face aos 46,3% registados no trimestre anterior. A produção industrial destacou-se como o sector mais fustigado por estas barreiras, com 56,9% das empresas a reportarem dificuldades, seguida de perto pelos serviços com 49,4% e pelo comércio com 43,2%.

A tipologia dos obstáculos varia consoante a área de actividade. Entre as indústrias, os principais entraves apontados foram a falta de matéria-prima, com 36,7%, as dificuldades de acesso ao crédito bancário, com 16,7%, e a pressão da concorrência, com 16,1%. No sector do comércio, os factores mais penalizadores foram a concorrência de mercado, apontada por 27,3% dos operadores, e a fraca procura de produtos, que afectou 25,6% das empresas. Já nos serviços, os maiores constrangimentos continuam a centrar-se na concorrência, com 20,5%, na baixa procura, com 19,6%, e nas barreiras no acesso ao financiamento bancário, com 9,2%.

 

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