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A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) pretende transformar Moçambique num “hub energético” da região austral de África, através da criação de infra-estruturas capazes de transportar e distribuir o gás natural produzido no norte do país para as regiões centro e sul, bem como para países vizinhos. A intenção foi manifestada esta quinta-feira, em Marracuene, durante a 61.ª edição da FACIM.
O anúncio foi feito pelo Director Comercial e Marketing Doméstico da ENH, Titos Nhabomba, durante o seminário subordinado ao tema “Hidrocarbonetos como pilar de Desenvolvimento Nacional”.
Segundo Nhabomba, Moçambique dispõe de um dos seus maiores potenciais de reservas de gás natural na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, onde os projectos das áreas 1 e 4 já asseguraram cerca de 900 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia, destinados a impulsionar a industrialização e a geração de energia no país.
O director comercial, entretanto, considera que o principal desafio consiste em criar condições para que o recurso produzido no norte possa beneficiar todo o território nacional.
“Os 900 milhões de pés cúbicos por dia estão em Cabo Delgado, em Afungi, mas o país é extenso. O desafio, na perspectiva de efectivamente nos tornarmos num hub energético, é implantar infra-estruturas que nos permitam usar o recurso ao serviço de todo o país”, afirmou.
Como parte desta estratégia, a ENH avançou com a implantação de uma infra-estrutura flutuante de recepção e regaseificação de gás natural liquefeito (GNL), que deverá ficar localizada na região entre Beira e Inhassoro.
Para Nhabomba, a infra-estrutura terá um papel estratégico na distribuição do gás produzido em Cabo Delgado para outras regiões do país, permitindo que o recurso contribua para a industrialização não apenas do norte, mas também do centro e sul de Moçambique.
“O gás que será produzido em Cabo Delgado vai industrializar Cabo Delgado, mas precisa igualmente de chegar às diferentes partes de Moçambique para promover o desenvolvimento e a industrialização”, explicou.
A ENH pretende ainda utilizar esta infra-estrutura para reforçar a posição de Moçambique como fornecedor regional de energia, com possibilidade de alcançar mercados como Zimbabwe, Malawi e África do Sul.
Nhabomba apontou a experiência do gasoduto de cerca de 850 quilómetros entre Temane, em Inhambane, e Secunda, na África do Sul, como exemplo do impacto que grandes infra-estruturas energéticas podem ter sobre a economia.
Na sua perspectiva, uma infra-estrutura de distribuição de GNL na região centro poderá produzir efeitos semelhantes, contribuindo para dinamizar a economia nacional e ampliar o acesso ao gás natural.
“Faz-nos pensar que implantar uma infra-estrutura desta natureza, que é o terminal de LNG da Beira e de Sul, vai naturalmente catapultar o desenvolvimento do país no seu todo”, afirmou.
ENH destaca benefícios para as comunidades
O representante da ENH destacou ainda que o desenvolvimento do sector dos hidrocarbonetos deve traduzir-se em benefícios concretos para as comunidades moçambicanas, através do conteúdo local, participação empresarial e iniciativas de responsabilidade social.
Segundo Nhabomba, a ENH tem desenvolvido acções em diferentes pontos do país, incluindo projectos de empoderamento de mulheres e raparigas, acesso a equipamentos informáticos e construção ou reabilitação de escolas.
As iniciativas, explicou, são realizadas em parceria com outras entidades e procuram responder às necessidades de comunidades localizadas em distritos e pequenas vilas onde a intervenção é considerada estratégica.
“Apesar de as acções da ENH serem à escala nacional, nos pequenos distritos e pequenas vilas onde se mostra oportuno e estratégico desenvolver acções que beneficiem directamente a população, a ENH tem estado a assumir alguma liderança em colaboração com os seus parceiros”, concluiu.



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