As culpas de Portugal em relação ao povo ucraniano

OPINIÃO

Afonso Almeida Brandão

É horrível, mas é verdade: temos sangue de ucranianos nas nossas mãos! Como? Porque negociamos com a Rússia, ajudamos a Rússia a fazer guerra à Ucrânia, ajudamos a Rússia a matar civis, crianças, mulheres e velhos!

Sem dinheiro não se fazem guerras, sem dinheiro a Rússia parará imediatamente a guerra e não mais haverá cidades arrasadas, não mais haverá milhares de mortos, parará o horror… Mas nós contribuímos para que isso não aconteça, compramos gás à Rússia, pagamos-lhes, ajudamos a Rússia a prolongar a carnificina! Que já vai a caminho de 80 longos dias…

Ah! Mas compramos pouco, a nossa contribuição anda à volta dos 5% — refiro-me a Portugal, naturalmente — para a carnificina é pequena, pequenina, a de outros é maior, então a da Hungria é muito maior e da Alemanha, essa é enorme, enquanto que a da Itália e da França rondam os 40%… mais coisa, menos coisa.

Um filho malvado bate na mãe velhinha, mas bate pouco, há outro que bate muito mais… e sendo assim não é grave…

Há semanas, o então ministro da Defesa, em resposta a uma pergunta dum jornalista, confirmou que contribuímos para a tesouraria de Putin (ou seja, para a Guerra), mas pouco, apenas compramos à Rússia gás que é quase insignificante, isto é, anda à volta de 5% (repetimos) das nossas necessidades energéticas, tão pouco se compararmos com outros países…

E esclareceu que se a Rússia nos “fechasse a torneira” isso não seria grave, facilmente arranjaríamos outro fornecedor, além de que as reservas que temos nos asseguram amplamente tempo para o procurar e com ele negociar. E então eu pergunto: não temos vergonha na cara? Estamos à espera de quê? Temos de pedir autorização a Bruxelas? Raios o partam!!!

O Presidente da Ucrânia dirigiu-se ao nosso Parlamento, aos deputados, a todos os Portugueses, ao Presidente da República e ao primeiro-ministro e Governo. Pediu, mais uma vez, «ajudem a Ucrânia, travem a Rússia para parar este horror!»

Nós podemos e devemos fazer algo muito importante: decidir que nem mais um dólar USD ou EURO vai para a Rússia para ela continuar com a sua horrorosa Guerra. Mas já, Senhores!

Ah! Mas isso será muito bonito, mas nada resolve, é tão pouco o dinheiro que enviamos para a Rússia… Erro! Seremos o primeiro país a deixar de comprar gás à Rússia, com o nosso exemplo é bem possível que outros países, que compram muito, deixem de imediato de comprar. E sem dinheiro a Guerra acaba. E é o que tem estado a acontecer com a generalidade dos Países que fazem parte da União Europeia, exceptuando um ou outro caso por razões de “necessidade maior” ou antes (?) falta de coragem…

Sim, estão a ser tomadas sanções económicas contra a Rússia. Mas no seu conjunto demorarão meses a terem um efeito severo (não obstante a Rússia e os russos já estarem a “acusar” sérias dificuldades de sustentabilidade). E, contudo, até lá continuam a morrer mais mulheres, crianças e idosos.

Teremos de evitar ligar o ar condicionado em alguns dias de muito calor. Mas temos sempre as ventoinhas ligadas, não é verdade? Ou será muito sacrifício ficar só com as ventoinhas?

Haja vergonha e ponhamos fim à importação de GÁS da Rússia, ponhamos fim a pagar um dólar à Rússia. Será um pequeno passo de um pequeno País como o nosso, mas um grande passo como exemplo para toda a Europa e mesmo para o Mundo.

E correr como casal de russos em Portugal — que durante vários anos andaram “a recolher”, indevidamente, através da Câmara Municipal de Setúbal — com a conivência do seu Presidente da Câmara Comunista e do Partido ao qual pertence, por ideologia, afecto ao regime de Putin, com a intenção de “extorquir” dados pessoais e informações consideradas sigilosas aos ucranianos residentes em Portugal e a todos aqueles que optaram por escolher o nosso País como local de acolhimento, para aqui refazerem as suas vidas e serem felizes.

Sem contemplações e sem mais demoras…