- Frelimo conduz novos membros da CP às brigadas centrais
- Celso Correia substitui a Éneas Comiche e Amélia Muendane a Basílio Monteiro
- Eduardo Mulembwe, Manuel Tomé e Tomás Salomão também estão fora das brigadas centrais
- Entre os estreantes, há ambiciosos à sucessão de Filipe Nyusi na Frelimo
A Frelimo aprovou, semana passada, a nova composição do Gabinete Central de Preparação das Sextas Eleições Autárquicas de 2023 e das chefias das Brigadas Centrais. Neste último, alguns nomes que estreiam na Comissão Política, eleitos no XII Congresso da Frelimo, continuam a ganhar uma ascensão meteórica que elucida a estratégia de colocar figuras mais leais a Filipe Nyusi na direcção da Frelimo, tendo aproveitado a ocasião para afastar os ditos presidenciáveis num momento em que a sucessão vai sendo discutida à porta fechada. Eduardo Mulembwe, Luísa Diogo, Basílio Monteiro e Tomaz Salomão, todos tidos como potenciais candidatos à sucessão de Nyusi, estão fora das brigadas centrais, apesar dos dois últimos terem garantido a continuidade na Comissão Política, no decurso do último Congresso. Outro nome de peso expurgado é Manuel Tomé, enquanto Celso Correia e Amélia Muendane são as caras em contínuo crescimento no partido. Outro destaque vai para o resgate de José Pacheco para coadjuvar Nyeleti Mondlane que chefia Manica.
Evidências
À porta das eleições autárquicas, a Frelimo fez mexidas nas chefias das brigadas centrais, uma extensão do poder central do partido nas províncias, com mais relevância do que os primeiros secretários provinciais. As brigadas que são compostas por um membro da Comissão Política coadjuvado por um membro do Comité Central assistem às províncias de topo à base.
A nova configuração é composta, na sua maioria, por figuras do Centro do País e dos recém-estreantes membros da Comissão Política, eleita no último Congresso da Frelimo. Há denúncias, lembre-se, não formalizadas de uma eleição manipulada ao longo do XII Congresso, em que se alega que os novos integrantes foram indicados a dedo com influência de escolher o número de votos para imprimir ou não uma maior aceitação, o que veio sugerir que a votação não passou de mera formalização.
A nova estrutura caracterizada pela movimentação e estreia de novos nomes, aponta que Amélia Muendane irá chefiar o Gabinete Central de Assistência à província de Niassa, coadjuvada por Raimundo Diomba. O crescimento dela vem sendo notório no partido, depois de entrar na Comissão Política no decurso de XII Congresso da Frelimo. Em Niassa, os novos chefes substituem Sérgio Pantie, que vinha sendo auxiliado por Basílio Monteiro, conotado com ambições presidenciais, o que lhe valeu afastamento dos círculos próximos do actual septo do poder.
Para Cabo Delgado, Esperança Bias chefia a brigada, coadjuvada por Nkutema Namoto Chipande, filho do general cuja história – diga-se contestada – atribuiu-lhe o primeiro tiro. Os dois substituem Alcinda Abreu (movimentada para cidade de Maputo) e Caifadine Manasse, um jovem tido como conflituoso, em continuo declínio político.
No caso de Nampula, a província mais populosa do País e um desafio constante da Frelimo, foi destacado o mastermind do executivo de Nyusi e actual motor das vitórias asfixiantes, Celso Ismael Correia, que vai ter como adjunto Sérgio Pantie. A nova dupla substitui Éneas Comiche, que tinha como adjunto Carlos Agostinho do Rosário.
Um resgatado chamado José Pacheco
Já a Zambézia é chefiada por Filipe Chimoio Paunde, coadjuvado por Adriano Maleiane, que foi também nomeado para director financeiro da campanha, no quadro da nova composição do Gabinete Central de Preparação das Sextas Eleições Autárquicas de 2023. Chefiavam Zambézia, Eduardo Mulémbwè e Ana Rita Sithole.
Para a província de Tete foi “despachada” Verónica Macamo Ndlovu, coadjuvada por Eduardo Mariamo Abdula em substituição de Conceita Sortane.
E, para Manica, foi indicada Nyeleti Mondlane, tendo sido resgatado José Pacheco para ser adjunto. Pacheco é um dos poucos propalados presidenciáveis, sem ligação a Nyusi, que sobreviveu. Volta assim à ribalta depois de por alguma razão ter andado afastado dos holofotes. Em Manica, estava Aires Ali, coajuvado por Nyeleti que passa agora a assumir funções de chefia.
Aires Ali foi movimentado para chefiar Gaza, onde tem Carmelita Namashulua como adjunta. Ali substitui em Gaza Tomaz Salomão e Francisco Mucanheia que foi, o último, movimentado para coadjuvar Fernando Faustino na província de Maputo,
Para província de Sofala, foi indicada Margarida Talapa coadjuvada por Carlos Agostinho do Rosário. Talapa substitui Manuel Tomé, já com a idade a cobrar o seu tributo. Já para Inhambane foi resgatado Damião José, que vai trabalhar lado a lado com Ana Comoana.
Usados e descartados
Recorrendo ao princípio de que as brigadas centrais devem ser lideradas por membros da Comissão Política, num momento em que as eleições batem à porta, enquanto se gere o dossier da sucessão cujo debate ainda não é oficial, o grupo com maior controlo aproveitou afastar das brigadas centrais nomes presenciáveis e com influência nas províncias onde liderava, como é o caso de Tomaz Salomão que, apesar de ter conquistado a continuidade na CP, teve de ceder depois de um trabalho notório na província mais problemática durante as últimas eleições de órgãos do partido. Tomaz Salomão foi capaz de controlar o barulho, gerir as ambições dos camaradas e conduzir, até ao Congresso, uma Gaza aparentemente unida.
Outro nome que nas últimas eleições foi confiada a chefia de uma brigada mesmo não sendo membro da CP é Luísa Diogo cujo nome tem sido associado a uma provável candidatura. Depois de ter sido usada para granjear a simpatia do eleitorado de Tete em 2019, está agora totalmente afastada.
Fontes próximas acreditam que a nova configuração da Frelimo nas brigadas centrais não é afastada da estratégia da sucessão, muito menos de tentativa de ofuscar os presidenciáveis com o beneplácito da ala no centro do poder.
Ao mesmo tempo que levam em conta a zanga dos camaradas Nyusi e Guebuza cuja guerra reflecte-se dentro do partido, com uma purga sem trégua dos últimos vestígios do guebuzismo tanto no partido, assim como na marca do Governo. Contrariando a tentativa fracassada de Nyusi de aproximação, como se viu no aniversário dos 80 anos do antigo presidente, nem Chissano e nem Guebuza parecem se ter lembrando do aniversário do actual Presidente da República.
Celso Correia mantém-se director da campanha e Maleiane substitui Tonela nas finanças

No capítulo da composição do Gabinete Central de Preparação das Sextas eleições Autárquicas de 2023 foi indicado Roque Silva, secretário-geral do partido, para chefiar o Gabinete e Celso Correia director de campanha.
“Este gabinete irá comportar as áreas de actividade interna dirigida pela camarada Verónica Macamo e como adjunto terá o camarada João Muthemba e o camarada Iasalde Ussene; também comporta a área de mobilização e comunicação social, que será dirigida pelo membro da Comissão Política Margarida Talapa, e terá como adjuntos Damião José e Ludmila Magune”, adiantou Ludmila Magune, porta-voz do partido.
A porta-voz do partido avançou mais nomes que deverão orientar algumas áreas. Adriano Maleiane foi nomeado para dirigir a área de finanças e logística da campanha. Já Eneas Comiche será encarregado pela documentação. Comiche é o único dos 53 edis actuais que vai desempenhar funções num órgão que a princípio vai escrutinar candidatos para uma eleição em que pode querer concorrer à sua própria sucessão.
“A área de verificação e análise de candidaturas será dirigida pela camarada Ana Comoana e como adjunta terá a camarada Esperança Bias”, revelou Magune, acrescentando que ainda não há cronograma para o processo de selecção dos candidatos às eleições autárquicas de 2024.
Alberto Chipande vai liderar a área de defesa e segurança. As actividades de campanha para as próximas eleições autárquicas serão dirigidas por Celso Correia, nomeado director de campanha, tal como nas anteriores eleições, em que lhe é atribuído o mérito de ter desenhado a estratégia da fraude em 2019.
Na reunião, segundo Ludmila Magune, a Comissão Política aprovou as novas chefias das brigadas centrais de apoio às províncias.
A porta-voz da Frelimo falava, esta quarta-feira, após a terceira sessão ordinária da Comissão Política, na qual foi aprovada a composição do Gabinete Central de Preparação das Sextas Eleições Autárquicas.
Fora do partido, a movimentação coincide com o debate em curso sobre a viabilidade ou não de realização das eleições distritais de 2024, por outro vai aguçando as estratégias para assaltar os municípios nas próximas eleições autárquicas, por sinal, as sextas.
Esta quarta-feira, o partido no poder esteve reunido para rever a situação política no País e no seio do partido. Foi na reunião em que os membros da Comissão Política do partido aprovaram a composição do Gabinete Central de Preparação das Sextas Eleições Autárquicas.

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