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- Lobby diplomático a partir de Maputo tenta desbloquear o assunto
Tal como avançou o jornal Evidências em primeira mão, o antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, já se encontra fora da cadeia nos Estados Unidos, mas continua longe de ser um homem livre. O seu regresso a Moçambique permanece bloqueado por entraves burocráticos ligados ao processo de deportação. O antigo governante, que cumpriu pena de 14 meses, chegou a ser levado ao aeroporto de Boston, mas viu a sua ordem de embarque ser recusada pela companhia aérea portuguesa TAP porque o seu documento de viagem de emergência emitido pela embaixada de Moçambique nos Estados Unidos não foi ainda reconhecido pelas autoridades portuguesas.
Evidências
Após cumprir 14 meses de reclusão nos Estados que se juntam aos outros seis que permaneceu em prisão preventiva, o antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, foi finalmente colocado em liberdade no dia 26 de Março e foi imediatamente transferido para a custódia do famoso e temido ICE (Immigration and Customs Enforcement – Serviço de Migração e Alfândega), entidade responsável pela sua deportação.
A expectativa era de que viajasse no mesmo dia, a partir do Aeroporto Internacional Logan, em Boston, com destino a Maputo, numa rota com escala em Lisboa. Com bilhete em mãos, as autoridades migratórias norte-americanas conduziram-no para o aeroporto a fim de tomar o avião que o devolveria o ar da pátria amada.
Contudo, o azar voltou a bater-lhe à porta e o plano caiu por terra no último momento. A companhia aérea portuguesa TAP recusou o seu embarque, alegando que o documento de viagem de emergência emitido pela embaixada moçambicana não tinha sido previamente validado pelas autoridades portuguesas, responsáveis pelo controlo durante a escala em Lisboa.
A situação criou um impasse inesperado e o semblante de Manuel Chang ensopou-se de decepção. Apesar de o documento ter sido aceite pelas autoridades norte-americanas, Portugal exigiu validação prévia, condição que não foi cumprida, inviabilizando a viagem.
Após ver negado o seu embarque, Chang foi devolvido ao Estabelecimento Correccional do Condado de Plymouth (Massachusetts). Desde então, os advogados têm tentado coordenar com o ICE para concretizar a deportação, mas sem sucesso.
Por essa razão, até ao momento não há uma nova data definida para o seu regresso ao país. Evidências apurou que, até ao fecho desta edição, as autoridades portuguesas não tinham ainda validado a autoriozação para a escala naquele país europeu, enquanto um lobby a partir de Maputo tenta desbloquear o assunto.
A defesa do antigo governante já solicitou a intervenção do tribunal federal de Nova Iorque, pedindo que seja garantida a sua deportação imediata e que sejam esclarecidos os requisitos adicionais necessários para ultrapassar o bloqueio.
A defesa sustenta que o documento tinha sido aceite pelo Serviço de Migração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e que o itinerário Boston–Lisboa–Maputo tinha sido previamente organizado.
Enquanto persistirem as dúvidas sobre a validação documental e os procedimentos de trânsito internacional, o regresso de Manuel Chang a Maputo continua envolto em incerteza, prolongando o sofrimento de um homem que não sabe o que é liberdade desde Dezembro de 2018. De todos os implicados nas dívidas ocultas, ele foi o que mais sofreu.



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