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O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo iniciou esta sexta-feira a audição do processo-crime de calúnia e difamação movido pelo presidente do partido PODEMOS, Albino Forquilha, contra o ativista e diretor do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga. O litígio centra-se nas denúncias públicas feitas por Nuvunga em 2025, nas quais alegou que o líder do PODEMOS teria recebido cerca de 219 milhões de meticais para vender a verdade eleitoral.
À saída da sessão, Adriano Nuvunga reiterou a sua posição de ativista, argumentando que a sua atuação limitou-se ao encaminhamento de denúncias recebidas aos órgãos de justiça. Nuvunga sublinhou que a sua presença no tribunal, na qualidade de acusado, é um paradoxo democrático.
“Este é um julgamento de interesse público, interesse público porque é sobre matéria de justiça eleitoral que tem que ver com todos. A justiça eleitoral é um direito humano e que tem implicações na vida dos cidadãos no dia a dia e na qualidade de vida,” disse.
O ativista defendeu ainda que a sua conduta foi guiada pela proteção das liberdades e que, perante o tribunal, sente que está a ser julgado pela sua própria militância social.
“Surpreende-me que, numa sociedade democrática, o denunciante que luta pela justiça eleitoral tem que ser levado à barra do tribunal. Tinham que ser outros atores aqui como acusados e não eu, mas, de resto, estamos satisfeitos por estar a responder por um processo de luta pela justiça para o povo,” afirmou.
Do lado da acusação, Albino Forquilha mantém que as alegações de Nuvunga são desprovidas de qualquer base factual e visam unicamente destruir a sua imagem pública. Para o presidente do PODEMOS, o julgamento é a oportunidade necessária para limpar o seu histórico de acusações que classifica como infundadas.
“Eu sempre fui inocente e quero que, de facto, o tribunal traga a justiça e reponha o meu bom nome,” defendeu.
Sobre os próximos passos do caso, Forquilha confirmou que a produção de prova está em curso e que se espera um desfecho definitivo para breve.
“O julgamento de facto iniciou hoje e decorreu, ainda que não tenha sido terminado, mas a prova foi feita, mas voltaremos no dia 4 de maio. Será o dia que eu penso que será o fim do julgamento,” disse Forquilha.
O caso, que se tornou um símbolo do choque entre a classe política emergente e a sociedade civil em Moçambique, prossegue agora a fase instrutória no próximo dia 04 de maio, quando o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo deverá ouvir novas provas antes de avançar para a sentença final.



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