Share this
O Governo determinou a activação e o reforço imediato dos planos de contingência em todo o território nacional, instruindo as autoridades a priorizarem acções de preparação contra a seca extrema nas regiões sul e centro, e a prevenção de cheias e inundações na região norte. A orientação responde directamento ao parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia, que confirmou a formação de um fenómeno climático El Niño de forte intensidade com efeitos directos sobre a época chuvosa e ciclónica 2026-2027. Os modelos climáticos globais indicam que o fenómeno terá um comportamento persistente, prolongando-se até ao início da segunda metade do período chuvoso.
A avaliação científica detalhada pelo órgão meteorológico aponta para um cenário de forte assimetria no comportamento das precipitações e temperaturas no país. Conforme detalhado pela instituição, “os impactos deverão variar por regiões do País. Nas regiões Sul e Centro prevê-se risco elevado de chuvas irregulares, com tendência abaixo do normal e temperaturas acima da média climatológica. Para a região Norte, as previsões apontam para maior probabilidade de ocorrência de chuvas regulares, com tendência acima do normal”.
O relatório técnico avisa que este desequilíbrio atmosférico constitui uma ameaça directa à estabilidade de sectores socioeconómicos vitais, colocando em risco a produção agrícola, a disponibilidade de recursos hídricos e a segurança alimentar das comunidades.
O alerta do Executivo surge num contexto de recuperação das infra-estruturas e populações vulneráveis, após o balanço da época chuvosa e ciclónica anterior (2025-2026) ter registado mais de um milhão de cidadãos severamente afectados por inundações, tempestades e surtos epidémicos de cólera.
O porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, informou que o período passado foi fustigado por 11 sistemas ciclónicos, dos quais quatro atingiram o estatuto de ciclones intensos, incluindo o ciclone Jezani, que causou destruição nas províncias de Inhambane e Gaza. Ao todo, registaram-se 1 074 838 pessoas afectadas, o equivalente a quase 40% do cenário de risco estipulado pelas autoridades financeiras e humanitárias.
Embora o esforço conjunto entre o Governo, parceiros de cooperação e a sociedade civil tenha sido apontado como crucial para mitigar a perda de vidas humanas face às intempéries passadas, a pressão sobre o sistema de assistência pública continua elevada. Inocêncio Impissa revelou que, dos 198 centros de acomodação temporária que foram abertos para acolher os deslocados e sobreviventes das cheias, 22 espaços de abrigo permanecem activos e sob gestão estatal. Estas estruturas garantem actualmente a subsistência de 4 618 pessoas localizadas na cidade e província de Maputo, bem como em Gaza e Niassa, servindo de base operacional enquanto o país reconfigura as suas frentes de protecção civil para os impactos severos do El Niño que se avizinha.



Facebook Comments