Governo quer restringir importação de pão de forma para proteger indústria nacional

DESTAQUE ECONOMIA
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O Governo moçambicano poderá avançar, nos próximos dias, com medidas de restrição à importação de pão de forma, numa tentativa de proteger e impulsionar a indústria nacional de panificação. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado do Comércio, António Grispos, durante uma visita realizada esta sexta-feira a uma unidade de produção de pão em Maputo.

Segundo o governante, a medida surge no âmbito das decisões da Comissão Consultiva de Importações, órgão criado pelo Executivo para analisar produtos que poderão beneficiar de mecanismos de protecção da produção nacional. Grispos explicou que, após decisões semelhantes tomadas para sectores como a cerâmica, o arroz e o trigo, o Governo pretende agora regular a importação de pão de forma.

“O Governo está a criar condições de preferência ao produto nacional, de modo a permitir que a indústria local cresça, gere mais empregos e reduza os preços para os consumidores”, afirmou.

Durante a visita, o secretário de Estado defendeu que Moçambique já possui capacidade para produzir diferentes tipos de pão de forma com qualidade comparável à dos produtos importados. Acrescentou ainda que a expansão da indústria poderá gerar novos postos de trabalho e dinamizar outros sectores ligados à cadeia de produção.

Na mesma ocasião, o gerente da Padaria Pão de Lenha, Yusuf Amuji, explicou que a fábrica opera há cerca de 10 anos na produção de pão de forma e actualmente produz aproximadamente mil unidades por dia. Segundo ele, apesar da recente subida do preço dos combustíveis, a empresa ainda não alterou os preços do produto.

“Estamos ainda a acompanhar a situação para perceber se os preços vão estabilizar ou voltar a subir antes de tomarmos qualquer decisão”, explicou.

Yusuf Amuji reconheceu, entretanto, que a concorrência com o pão importado continua a ser um dos maiores desafios da indústria de panificação. Segundo afirmou, as empresas estrangeiras possuem maior capacidade financeira, logística e de distribuição, factores que dificultam uma concorrência em igualdade de circunstâncias.

Actualmente, o pão de forma tradicional produzido localmente é vendido aos revendedores por cerca de 60 meticais, enquanto as versões consideradas mais saudáveis chegam aos 70 meticais.

O responsável acredita que, caso haja aumento da produção e maior protecção do mercado nacional, os preços poderão baixar entre 5% e 10%, devido à redução dos custos de produção em escala.

Por sua vez, António Grispos afirmou que as novas medidas poderão entrar em vigor dentro de 45 a 60 dias, período que, segundo disse, servirá para permitir que empresários interessados invistam ou expandam a produção nacional.

O governante considera que a protecção da indústria nacional é “o melhor investimento” que o Estado pode fazer neste momento para estimular o crescimento económico e reduzir a dependência de produtos importados.

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