Mel Matsinhe leva visão estratégica da economia criativa moçambicana a Kigali

CULTURA DESTAQUE
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A investigadora, escritora e musicista moçambicana Mel Matsinhe participa este mês no Africa Creative Economy and Investment Forum (ACEIF), em Kigali, Ruanda, para apresentar uma perspetiva estratégica sobre o papel da cultura e das indústrias criativas no desenvolvimento de Moçambique e do continente africano. O encontro internacional reúne governos, académicos, investidores e organizações culturais focados em transformar a produção artística e o conhecimento tradicional em valor económico, emprego qualificado e inovação sustentável.

A participação de Matsinhe no evento continental centra-se na defesa de que o país e a região devem evoluir da mera celebração do talento para a construção de infra-estruturas conceptuais, regulatórias e financeiras sólidas. A investigadora sustenta que o sector criativo se articula directamente com áreas estruturantes como a educação, o turismo, a diplomacia e a tecnologia, exigindo uma integração ecfetiva nas políticas públicas de desenvolvimento.

“África não precisa apenas de ser reconhecida pelo seu talento criativo. Precisa de desenvolver a capacidade de pensar, estruturar, proteger, financiar e internacionalizar aquilo que cria”, defende a investigadora moçambicana.

Com um percurso académico marcado pelo doutoramento na Universidade de Pretória, onde se dedica à investigação sobre a salvaguarda, promoção e propriedade intelectual da música em Moçambique, Matsinhe combina a prática artística com a análise de políticas culturais. O seu trabalho aborda a música não apenas como manifestação artística, mas como um instrumento de coesão social, criação de emprego e afirmação de soberania cultural.

No âmbito do fórum em Kigali, a profissional moçambicana modera no dia 29 de Agosto um painel dedicado à criação cultural no continente e à circulação internacional de bens criativos. O debate abordará modelos de cooperação que garantam que os processos de internacionalização não resultem na perda de autonomia ou na desvalorização dos sistemas de conhecimento locais.

“Há uma diferença entre participar na economia criativa e ajudar a definir para onde ela vai”, enfatiza Mel Matsinhe, apontando a necessidade de consolidar parcerias institucionais e projetos de investigação que permitam reter em África o valor económico e intelectual gerado pela sua própria produção cultural.

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