RENAMO convoca Conselho Nacional sob pressão para decidir futuro de Ossufo Momade

DESTAQUE POLÍTICA
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A liderança da RENAMO vai enfrentar um dos seus momentos políticos mais delicados nos próximos meses. Finalmente, o partido convocou para os dias 21 e 22 de Outubro de 2026, em Maputo, o Conselho Nacional, órgão que poderá ser chamado a pronunciar-se sobre a situação interna da formação política, incluindo a realização ou não de um congresso, numa altura em que se multiplicam as vozes que contestam a liderança de Ossufo Momade.

Elísio Nuvunga

A convocação foi anunciada esta sexta-feira (28.08), em Maputo, pelo porta-voz da RENAMO, Marcial Macome, durante uma conferência de imprensa dedicada à situação política, social e económica do país e ao estado interno do principal partido da oposição.

“Gostaríamos, desde já, de convocar a reunião do Conselho Nacional para os dias 21 e 22 de Outubro para discutir a situação do país, igualmente discutir a situação interna do país, do partido. Afinal de contas, o partido RENAMO é partido dos moçambicanos e discutir estas questões faz parte da agenda de desenvolvimento deste país”, anunciou Macome.

O encontro da perdiz acontece num contexto de crescente contestação à liderança de Ossufo Momade, com membros e simpatizantes a defenderem mudanças na condução do partido e, em alguns casos, a exigirem a convocação de um congresso.

Perante este cenário, Macome, reproduzindo o discurso do seu líder, procurou fechar a porta a qualquer mudança fora dos mecanismos estatutários da organização. Segundo o porta-voz, Ossufo Momade continua a ser o presidente legítimo da RENAMO, por ter sido eleito em congresso, e qualquer alteração à liderança deverá seguir o mesmo caminho.

“O Partido RENAMO tem órgãos. O presidente Ossufo (Momade) é presidente do Partido RENAMO. Eleito em congresso e isto só vai ser desfeito em um congresso. Não há quem vai aparecer a dizer que o presidente Ossufo não é presidente sem que sejam os órgãos do partido a deliberar. Os órgãos do partido são soberanos, agem em função do regulamento que é o estatuto e só assim é que podemos avançar”, afirmou.

É precisamente sobre o futuro do congresso que poderá recair parte importante da discussão do Conselho Nacional. A realização desta reunião magna tem sido uma das principais reivindicações dos sectores descontentes com a actual liderança. Macome diz, contudo, que a decisão não cabe a grupos individuais, mas aos órgãos competentes do partido.

Para além da crise interna, a RENAMO aproveitou a conferência de imprensa para lançar duras críticas à governação do país, atribuindo a pobreza e as dificuldades económicas enfrentadas pelos moçambicanos a opções políticas acumuladas ao longo dos anos.

A formação política defende uma mudança profunda no modelo de governação, argumentando que os níveis de pobreza e sofrimento não são inevitáveis.

“Moçambique não está condenado à pobreza ou à resignação. O sofrimento do nosso povo não é uma fatalidade histórica. É a consequência das nossas escolhas políticas erradas”, afirmou Macome.

A RENAMO voltou igualmente as atenções para o agravamento do custo de vida, o desemprego juvenil e a precariedade laboral, que considera sinais de esgotamento do actual modelo de governação económica. Segundo Marcial Macome, mais de 80% da força jovem encontra-se numa situação laboral precária e sem protecção social.

“Moçambique possui uma das maiores reservas de gás natural do continente e recursos minerais invejáveis. No entanto, existe uma foz dramática entre a narrativa dos grandes projectos extractivos e o prato vazio da nossa juventude”, lamentou, apresentando uma agenda de “emergência” composta por cinco medidas destinadas a aliviar a pressão sobre as famílias e estimular a actividade económica.

Entre as propostas estão o alívio fiscal sobre bens de primeira necessidade, o financiamento ao empreendedorismo juvenil, a priorização da agricultura e da economia produtiva, o reforço da produção nacional e a construção de um corredor logístico nacional para facilitar o escoamento da produção.

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