Share this
- Combate à desinformação
A proliferação de notícias falsas no ecossistema digital e a persistente exclusão informativa das populações fora dos grandes centros urbanos emergiram como os principais alertas do Governo para a necessidade de reformular a estratégia de informação do Estado. Reunidos em Maputo por ocasião do V Conselho Coordenador do Gabinete de Informação (GABINFO), os gestores do sector público de comunicação foram confrontados com a urgência de responder aos riscos e assimetrias gerados pela própria transição tecnológica no país.
Luísa Muhambe
A urgência de uma mudança estrutural na forma como o aparelho estatal produz e distribui conteúdos esteve no centro da intervenção de abertura do director do GABINFO, Luís Canhemba. O responsável advertiu que a transição para o ambiente digital deixou de ser um mero exercício de atualização técnica para se converter numa obrigação de eficácia governamental.
O grande ponto de ruptura debateu o impacto directo da desinformação na erosão da confiança entre os cidadãos e as instituições públicas. Diante da expansão descontrolada de conteúdos falsos nas redes digitais, o organismo encarregado de coordenar a política de informação do Estado colocou a integridade da mensagem oficial como prioridade máxima dos trabalhos.
“Este Conselho Coordenador deve pensar como podemos contornar a questão da desinformação, sobretudo num contexto em que ela se tornou insuportável para os cidadãos”, alertou Luís Canhemba.
Outro eixo crítico levantado prende-se com o abismo no acesso à informação que ainda separa as zonas urbanas do interior do país. Para a direcção do GABINFO, a existência de ferramentas digitais elimina qualquer pretexto para a manutenção de “desertos informativos” nas zonas rurais.
“Hoje não é concebível que um cidadão que esteja num local bastante recôndito não tenha informação. Temos as tecnologias e a capacidade humana para levar a comunicação até às zonas mais distantes”, afirmou o director do organismo.
A transparência institucional foi apresentada como o único antídoto eficaz contra a manipulação da opinião pública e a fragmentação da coesão social. Nesse sentido, a comunicação governamental é chamada a evoluir ao mesmo ritmo em que o próprio Estado se reforma para responder às exigências da população.
“Acreditamos que uma boa comunicação institucional contribui para fortalecer a confiança entre o Estado e o cidadão. Comunicar com verdade, oportunidade e responsabilidade tornou-se uma dimensão essencial do serviço público”, sublinhou o responsável.



Facebook Comments