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O roubo e o desvio crónico de medicamentos nos corredores do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ganham um novo instrumento de combate, a partir desta segunda-feira, 14 de Setembro, com a introdução do novo instrumento de monitorização e a entrada em circulação do primeiro lote de fármacos e material médico-cirúrgico rastreável.
A entrega, realizada no Armazém Central de Medicamentos (CMAM), no Zimpeto, marca a materialização de um financiamento de 35 milhões de dólares cedido pelo Banco Mundial. Mas o verdadeiro divisor de águas não reside no volume de luvas, gesso, anestésicos ou materiais de penso desembarcados, e sim na etiqueta invisível que agora acompanha cada unidade: o selo de rastreabilidade.
Para o ministro da Saúde, Ussene Isse, a medida traduz a directriz presidencial de Daniel Chapo virada para a humanização e o acesso real. Contudo, o governante soube ler entrelinhas ao admitir o óbvio: a tecnologia não é um talismã anti-corrupção. Com 50% dos kits comunitários já pagos numa linha de continuidade assegurada com o parceiro internacional, o calcanhar de Aquiles continua a ser a ética operacional nas unidades sanitárias.
Ao reconhecer que o ciclo de aquisição leva entre 18 e 24 meses devido à dependência de importações, o Ministério da Saúde joga uma cartada de risco calculado. Exigir que a ANARME aperte a fiscalização e transferir o ónus do controlo diário para os gestores hospitalares significa que o sucesso do investimento de 35 milhões de dólares deixa de depender de cofres ou aduaneiras, medindo-se a partir de agora na prateleira da enfermaria, onde o comprimido ou o penso ou desaparece no mercado paralelo, ou chega, finalmente, ao braço do doente anônimo.



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