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A ANAMOLA prepara o lançamento de quatro livros sob a chancela da LitterArte Edições, numa iniciativa que pretende preservar a memória política de Moçambique, documentar denúncias de violência e promover a reflexão sobre a democracia e os direitos humanos.
A cerimónia está prevista para 24 de Outubro de 2026, em Maputo, durante a I Convenção Nacional Extraordinária do partido, em memória de Elvino Dias e daqueles que a organização considera mártires da Revolução.
Entre as obras anunciadas destaca-se Moçambique: Uma Democracia a Sangrar — Violência política e violações dos direitos humanos, da autoria de Venâncio Mondlane.
Junta-se a esta publicação o livro Investigação dos Casos Registados sobre a Violação dos Direitos Humanos — Membros da ANAMOLA e Apoiantes do Projecto Político de Venâncio Mondlane, da autoria de Alex Barga e Peniel Dinis Mucavele.
Esta segunda obra analisa casos registados no período entre Outubro de 2024 e 15 de Agosto de 2026, relacionados, segundo o título e o enquadramento da publicação, com alegadas violações dos direitos humanos contra membros da ANAMOLA e apoiantes do projecto político de Venâncio Mondlane.
A obra conta com a colaboração do Gabinete do Presidente Venâncio Mondlane, de elementos dos departamentos de Informação e de Comunicação e Imagem. Foi editada por Alex Barga, publicada pela LitterArte Edições e tem uma tiragem anunciada de 500 exemplares.
Mais do que livros, um registo para a história
A importância destas publicações está na tentativa de reunir e preservar informações sobre acontecimentos políticos que marcaram Moçambique nos últimos anos.
Registar nomes, episódios e denúncias é uma forma de contribuir para a memória colectiva e de deixar documentação que poderá ser consultada, questionada e analisada pelas futuras gerações.
O livro dedicado à investigação dos casos registados sobre violações dos direitos humanos assume particular relevância por se concentrar em situações que envolvem membros de uma organização política e cidadãos que apoiam um determinado projecto político.
O seu conteúdo poderá contribuir para o debate público sobre a liberdade de participação política, a segurança dos cidadãos e a protecção dos direitos fundamentais.
Contudo, a importância de uma obra desta natureza não se limita à apresentação de denúncias. É igualmente necessário que os casos sejam examinados com rigor, que as informações sejam confrontadas com provas e que as autoridades competentes investiguem os factos para esclarecer as circunstâncias e apurar eventuais responsabilidades.
Uma denúncia não deve ser ignorada por razões políticas, mas também não deve ser automaticamente tratada como uma condenação.
Num país democrático, ninguém deveria sofrer perseguição ou violência por causa das suas escolhas políticas. Da mesma forma, nenhuma alegação grave deveria ficar sem o devido esclarecimento.
A protecção dos direitos humanos exige instituições capazes de actuar com independência, sem distinção de partido, posição social ou influência política.
Preservar a memória, exigir resposta
O lançamento destas obras também levanta uma questão fundamental: como poderá Moçambique construir uma democracia mais forte se os episódios de violência política não forem devidamente esclarecidos e documentados?
A memória das vítimas não deve ser utilizada apenas em cerimónias, discursos ou campanhas políticas. Deve servir para exigir respostas, prevenir novas violações e fortalecer o respeito pela vida humana.
Ao publicar estas obras, a ANAMOLA coloca no espaço público relatos e denúncias que merecem atenção, leitura crítica e análise séria.
O verdadeiro valor destes livros estará não apenas nas páginas impressas, mas também na sua capacidade de estimular o debate, contribuir para o esclarecimento dos factos e reforçar a exigência de justiça.
Porque um povo que preserva a sua história tem melhores condições para compreender o presente e impedir que os erros do passado se repitam.
E uma democracia que respeita os direitos humanos não teme a investigação, a transparência nem a verdade.



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