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Moçambique lançou esta Quinta-feira (22) a MAZA AI, uma plataforma de inteligência artificial concebida para apoiar o processo de ensino e aprendizagem, numa iniciativa da MOZEDUCA, que pretende ampliar o acesso dos estudantes a ferramentas digitais ajustadas às necessidades do sistema de educação nacional.
O lançamento foi testemunhado pelo ministro da Educação e Cultura, Edson Macuácua, que destacou o potencial da iniciativa para reforçar a inovação tecnológica nacional e contribuir para a digitalização do ensino, sobretudo entre estudantes do ensino secundário e superior.
Na ocasião, Macuácua afirmou que a MAZA AI representa um exemplo de como o empreendedorismo moçambicano pode transformar conhecimento e capacidade técnica em soluções para os desafios da educação. O governante defendeu, contudo, que a tecnologia deve estar ao serviço da aprendizagem, sem substituir o papel pedagógico dos professores.
“A inteligência artificial deve apoiar o professor, e não substituir a sua responsabilidade pedagógica. Deve ajudar o estudante a compreender e a pensar, e não dispensá-lo do esforço de aprender”, afirmou.
O ministro sublinhou igualmente a necessidade de assegurar a qualidade das respostas produzidas pela plataforma, a sua adequação aos programas de ensino e a protecção dos dados dos utilizadores. Segundo Macuácua, o Governo está a preparar legislação para regular o uso ético e responsável da inteligência artificial no sector da educação.
O governante considerou que a iniciativa se enquadra nos esforços de massificação das tecnologias de informação e comunicação no ensino, previstos no Programa Quinquenal do Governo 2025–2029, que estabelece prioridades para uma educação inclusiva e de qualidade e para o acesso a conteúdos educativos em plataformas digitais.
Para Macuácua, a expansão destas ferramentas deve ter em conta os estudantes com menores recursos financeiros e as comunidades com dificuldades de conectividade, de modo a evitar que a transformação digital aprofunde as desigualdades no acesso ao conhecimento.
Por sua vez, Isaías Filipe, presidente executivo da MOZEDUCA, afirmou que a MAZA AI pretende responder às limitações das plataformas internacionais, sobretudo no que diz respeito à adaptação dos conteúdos ao currículo escolar moçambicano e às línguas nacionais.
“O MAZA é uma solução que poderá ser testada agora. Nós compreendemos que a tecnologia precisa de ser controlada. Estes alunos consultam várias plataformas, mas qual é a plataforma que olha para o nosso currículo e para as nossas línguas? Todas as plataformas globais não irão fazer isso, mas o MAZA pode fazer isso”, declarou.
A iniciativa conta com o apoio da Vodacom Moçambique, que assinou um Memorando de Entendimento com a MOZEDUCA para promover a MAZA AI e a Bukar, outra solução associada à empresa, numa primeira fase de implementação piloto.
Salimo Abdula, presidente do conselho de administração da Vodacom Moçambique, recordou que a MOZEDUCA integrou, há cerca de três anos, o PUXAP, programa da operadora destinado a apoiar startups moçambicanas. Segundo o responsável, o apoio contribuiu para o crescimento da empresa e para o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas.
“Os jovens moçambicanos não usam apenas tecnologia. Também criam tecnologia”, afirmou Abdula, defendendo que a inovação digital deve contribuir para ampliar o acesso à educação, à informação e a novas oportunidades.



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