Share this
O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, comprometeu-se a acompanhar a implementação dos 12 memorandos de entendimento assinados durante a primeira edição da CAVAME-d, avaliados em cerca de 4,2 mil milhões de dólares norte-americanos, numa altura em que o Governo enfrenta o desafio de transformar os compromissos anunciados em projectos industriais concretos, fábricas e postos de trabalho. No encerramento do evento, realizado esta quinta-feira, em Nacala, província de Nampula, o governante reconheceu que a assinatura dos acordos representa apenas o primeiro passo de um processo cuja credibilidade dependerá dos resultados alcançados no terreno.
No discurso de encerramento, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, reconheceu que o principal desafio começa agora, com o desafio de transformar os compromissos assumidos em unidades de processamento, postos de trabalho e rendimentos para as famílias moçambicanas.
“Hoje, podemos dizer que tivemos o primeiro passo para cumprir com essa promessa”, afirmou Pale, recordando o compromisso assumido pelo Governo de fazer da conferência uma plataforma de resultados concretos, e não apenas de intenções.
Segundo o governante, pela primeira vez, o Executivo apresentou aos investidores não só os recursos existentes no subsolo, mas também projectos estruturados que associam essas matérias-primas aos produtos que podem ser fabricados no país e às condições necessárias para viabilizar os investimentos.
Os 12 memorandos assinados durante a conferência abrangem projectos de processamento e transformação de recursos minerais, incluindo a produção de grafite esférica, amónia, materiais derivados do carvão, produtos de pedra e vidro, entre outros. Os investimentos previstos deverão distribuir-se por várias províncias e distritos, contribuindo, segundo o ministro, para ampliar a capacidade industrial nacional e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas sem transformação local.
Pale sublinhou que a aposta na industrialização exige uma mudança na forma como Moçambique explora os seus recursos naturais. Em vez de se limitar à extracção e exportação, o país deve criar condições para que uma parte crescente do valor gerado pela actividade mineira permaneça na economia nacional, através da instalação de fábricas, do desenvolvimento de fornecedores locais e da criação de oportunidades de emprego.
Ministro promete acompanhar implementação dos projectos
Apesar dos anúncios, o ministro reconheceu que a assinatura dos memorandos não representa, por si só, a concretização dos investimentos. O encerramento da CAVAME-d marca, assim, o início de uma fase que exigirá acompanhamento institucional, coordenação entre os sectores público e privado e cumprimento dos compromissos assumidos pelos investidores.
“O encerramento desta conferência não é o fim do processo. É o início da fase mais exigente: transformar os memorandos em investimento, e o investimento em fábricas, emprego e rendimento para as famílias”, declarou.
Para garantir que os compromissos não permaneçam no papel, Pale assegurou que o Ministério dos Recursos Minerais e Energia acompanhará a implementação de cada projecto, em articulação com as instituições competentes. O governante não apresentou, no discurso de encerramento, um calendário detalhado para a execução de cada investimento, mas defendeu que o acompanhamento será determinante para materializar os resultados esperados.
A mensagem do ministro converge com a advertência deixada pelo governador de Nampula, Eduardo Abdula, conhecido por Tio Salim, que considerou os resultados da conferência encorajadores, mas alertou para a necessidade de distinguir os anúncios dos investimentos efectivamente realizados.
“Seria, contudo, ingénuo confundirmos os nossos compromissos anunciados com investimentos realizados. Ainda estamos nos anúncios”, afirmou Abdula, defendendo que o trabalho a seguir deverá transformar os memorandos em projectos, os projectos em fábricas e as fábricas em emprego.
O governador manifestou a expectativa de que, no próximo encontro, previsto para dentro de um ano, os participantes possam apresentar resultados concretos, incluindo obras em curso, unidades industriais em instalação e jovens que tenham conseguido o primeiro emprego graças aos novos investimentos.
No seu discurso, Eduardo Abdula defendeu que Nacala reúne condições para se afirmar como um importante centro logístico e industrial de Moçambique. Para o governante provincial, a localização estratégica da cidade, aliada às oportunidades abertas pela exploração dos recursos naturais e à capacidade de atrair investimentos, pode contribuir para descentralizar a actividade económica e criar novas oportunidades fora dos principais centros tradicionais de desenvolvimento.
“Queremos que os nossos recursos sejam transformados aqui, que as nossas empresas participem nessa transformação e, sobretudo, que os nossos homens encontrem oportunidades de trabalho na sua própria terra”, declarou.
Abdula destacou ainda os anúncios relativos à construção de dois parques industriais na região e à instalação de quatro unidades de processamento de minerais, previstas para começar a partir de 2027. Estes projectos, a concretizarem-se, poderão reforçar a capacidade de transformação local e criar ligações entre a indústria extractiva, a logística e outros sectores da economia.
O governador também apontou a prevista ligação aérea entre Nacala e Addis Abeba, através da Ethiopian Airlines, com três frequências semanais, como uma oportunidade para melhorar a ligação da província aos mercados internacionais e facilitar a circulação de investidores e parceiros comerciais.
Para o dirigente, a realização anual da conferência em Nacala constitui igualmente um sinal de descentralização económica, ao colocar a província no centro de uma agenda de dimensão nacional e internacional. No entanto, sublinhou que o sucesso da iniciativa deverá ser medido pela capacidade de transformar os anúncios em actividade económica efectiva.
Leilão internacional de gemas marca a semana
A primeira edição da CAVAME-d integrou também a oitava edição da Feira Anual de Gemas e Metais Preciosos (FAGENA), que reuniu intervenientes de diferentes segmentos da cadeia de valor, desde os operadores mineiros até aos compradores.
Na intervenção de encerramento, Estêvão Pale destacou a realização, a 22 de Outubro, do primeiro leilão internacional de gemas em território nacional. Segundo os dados apresentados pelo ministro, 11 potenciais compradores manifestaram interesse, dos quais quatro apresentaram propostas. A proposta vencedora foi atribuída à empresa Zambrot Mining, num negócio avaliado em 214.498 dólares norte-americanos.
O governante considerou o resultado uma demonstração de que Moçambique pode aumentar o valor económico dos seus recursos minerais através de mecanismos de comercialização realizados dentro do próprio país, reduzindo a necessidade de encaminhar determinadas operações para mercados externos.



Facebook Comments