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O ministro da Saúde, Ussene Isse, responsabilizou os profissionais que se encontravam em serviço na Enfermaria do Hospital Geral José Macamo por não terem reportado atempadamente a falta de iluminação na unidade sanitária, sublinhando que a verificação e o zelo pelas condições de trabalho nos centros de saúde não devem recair exclusivamente sobre a administração hospitalar. A reacção do governante surge na sequência de um vídeo amador gravado na noite do último sábado, por volta das 22 horas, no qual uma utente e uma profissional de saúde relatam a ausência de lâmpadas numa sala de observação, mostrando o recurso a lanternas de telemóveis para conseguir administrar tratamento médico a uma criança em pleno sofrimento.
Confrontado com o teor do registo audiovisual, o ministro manifestou profundo desagrado e questionou a conduta da equipa de plantão, argumentando que a falta de comunicação célere das avarias compromete a capacidade de resposta operacional.
“Também ficamos muito tristes. E a minha pergunta é, aquele profissional que estava ali a trabalhar, por que ficou tanto tempo sem comunicar? Todos os hospitais têm sistema de manutenção permanente nos hospitais. É muito estranho uma lâmpada que fundiu de manhã e não ser comunicada àqueles que têm que resolver o problema. São estes aspectos que eu estava aqui a dizer, que nós temos que melhorar. Em vez de preocupar-se em gravar e publicar, temos que preocupar-nos em resolver os problemas. Quando a situação foi tomada, foi informada, foi resolvida rapidamente. São estas coisas que nós, como profissionais de saúde, temos que olhar. Imagina lá, estou a passar num corredor num hospital. Eu sou profissional de saúde e vejo água suja, vejo sangue no chão e passo. Há-de vir o director, o administrador. Não. Eu tenho que fazer parte da liderança, da gestão do dia-a-dia,” disse Isse a margem da V Reunião Nacional de Formação de Profissionais de Saúde, que decorre até 28 de Outubro.
Para apurar em detalhe as circunstâncias do sucedido, o Ministério da Saúde ordenou a abertura imediata de um inquérito oficial, cujos resultados deverão esclarecer as responsabilidades de todas as partes envolvidas.
“Nós estamos a trabalhar nisso, por isso levantamos um inquérito. Há um trabalho a ser feito para apurarmos o que terá acontecido. E vamos trabalhar fortemente para mudar o cenário,” anunciou o Ministro.
No plano mais amplo da conduta profissional e da ética no setor, o titular da pasta da Saúde admitiu que persistem comportamentos inadequados por parte de alguns operadores sanitários, reconhecendo que situações de desrespeito e cobranças indevidas na maternidade e nos serviços de urgência ferem os princípios basilares da profissão. Ussene Isse frisou que o Ministério tem investido em acções de formação contínua, capacitação em deontologia e no reforço dos comités de humanização criados em todas as unidades hospitalares, mas apelou igualmente à vigilância activa da sociedade civil.
“Temos trabalhado fortemente na formação contínua, na formação em trabalho. Informações de refrescamento sobre ética deontologia profissional. Mas, acima de tudo, também esta componente da fiscalização e da supervisão a todos os níveis. Porque sabemos que há situações que nos entristecem. Quando uma mulher chega na maternidade e é tratada mal, é cobrada, é mal atendida. Não pode fazer parte da nossa forma de actuação, da nossa forma de trabalhar. Por isso quero aproveitar esta oportunidade também. É o seguinte, nós nunca estaremos, todos nós, mesmo os meus colegas no terreno, nunca estarão a tempo inteiro em todos os locais. Daí que estamos a apelar também ao povo moçambicano para ser muito vigilante e estar atento,” disse Isse, reforçando o apelo à vigilância pública e o combate intransigente aos comportamentos inadequados, desrespeitosos ou de cobranças ilícitas nos serviços de saúde.



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