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O Produto Interno Bruto registou crescimento de 4,67% no quarto trimestre de 2025, segundo dados oficiais preliminares obtidos por este jornal, marcando uma recuperação após um primeiro semestre afectado por manifestações que condicionaram mobilidade, logística e actividade comercial em vários centros urbanos.
A desaceleração inicial teve reflexo directo no desempenho acumulado do ano, mas os dados do último trimestre indicam recomposição da actividade produtiva.
O sector secundário cresceu 4,87%, com forte aceleração da indústria transformadora, que registou 13,58%, e crescimento de 4,01% na construção, sinalizando retoma de projectos e reactivação de obras. No sector primário, a indústria extractiva expandiu 6,64% e a agricultura 2,89%, enquanto a pesca cresceu 1,12%. O sector terciário registou 4,09%, com expansão expressiva de 21,72% na hotelaria e restauração, além de crescimento de 7,29% nos serviços financeiros e 4,47% nos transportes e comunicações.
A queda de 17,56% em electricidade e água evidencia fragilidades infra-estruturais que permanecem como constrangimento ao crescimento sustentado.
No plano externo, o enquadramento financeiro do país entra numa nova fase. O Grupo Banco Mundial comprometeu 10 mil milhões de dólares para Moçambique em cinco anos, sendo 6 mil milhões em crédito concessionário para o Estado e 4 mil milhões destinados a alavancar investimento privado. Trata-se de um dos maiores pacotes plurianuais de financiamento para o país.
Ao mesmo tempo, não há actualmente um novo programa financeiro com o FMI, o que torna a execução eficiente dos recursos concessionários e a estabilidade macroeconómica factores centrais para 2026.
Economistas observam que o crescimento do último trimestre representa recuperação cíclica após compressão da actividade, mas alertam que a consolidação dependerá da estabilidade interna e da capacidade de absorção dos novos financiamentos.



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