CIP: Governo de Daniel Chapo enfrenta risco de colapso financeiro

DESTAQUE POLÍTICA
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O Centro de Integridade Pública (CIP) lançou hoje o relatório sobre Perspectivas de Governação para 2026, onde identifica os riscos críticos para o segundo ano do mandato de Daniel Chapo. O documento traça um cenário alarmante das finanças públicas, afirmando que o Estado moçambicano se encontra numa situação de enormes dificuldades financeiras, resultado de duas décadas de políticas públicas erradas.

Segundo o Diretor da ONG, Edson Cortez, o atual governo herdou uma estrutura financeira fragilizada que exige uma mudança de rumo imediata. Cortez adverte que, sem a introdução de reformas profundas e urgentes, Moçambique corre o risco real de ver o Estado colapsar. A organização sublinha que não se trata de uma crítica destrutiva, mas da apresentação de problemas estruturais e possíveis soluções para resgatar o país.

Um dos pontos centrais do relatório é o fracasso do setor extrativo em gerar desenvolvimento. Apesar da existência de vários projetos em operação, o CIP revela que as receitas arrecadadas pelo Estado são quase inexistentes. A causa principal seria a incapacidade de fiscalização de órgãos como a Autoridade Tributária, o Instituto Nacional de Petróleo (INP) e o setor mineiro.

“Hoje em dia, o país não está a fiscalizar as empresas. É impossível ter receitas se você não fiscaliza”, afirmou Cortez. Esta falha na coleta de divisas reflete-se diretamente no défice de investimento em áreas sociais básicas. O relatório descreve um país rico em recursos, mas que não consegue prover educação e saúde dignas aos cidadãos, nem manter infraestruturas como estradas e pontes que conectem a economia.

O CIP aponta a corrupção e a persistência em políticas públicas erradas como os grandes desafios da atual governação. Para a ONG, a recusa dos decisores em aceitar alertas de vários atores sociais sugere que existem interesses particulares em jogo.

“Quando vários atores alertam sobre determinado rumo de políticas públicas e aqueles que tomam decisões não querem aceitar, às vezes ficamos com a impressão de que há ganhos privados para que essas pessoas não tomem medidas que nos parecem óbvias,” reforça.

A organização apela a quem detém o poder para que reflita sobre os contributos apresentados. O CIP sublinha que o seu papel é demonstrar como o país pode ser resgatado, cabendo agora ao Governo decidir se aceita estas reflexões ou se apresenta alternativas válidas para travar a crise.

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