Tomás Vieira defende diversificação de negócios para garantir sustentabilidade dos media

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O jornalista e especialista em comunicação, Tomás Vieira Mário, defendeu esta quinta-feira, em Maputo, a necessidade de os órgãos de comunicação social diversificarem as suas fontes de receita como forma de garantir a sustentabilidade financeira do sector dos media em Moçambique.

Falando durante a Conferência Nacional sobre a Sustentabilidade dos Media, Tomás Vieira Mário afirmou que os recursos disponíveis no mercado publicitário são insuficientes para sustentar todas as empresas de comunicação social, razão pela qual considera urgente a adopção de modelos de negócio mais modernos e arrojados.

Segundo explicou, várias empresas mediáticas nacionais já recorrem a negócios paralelos para financiar as suas actividades principais.

“Hoje vemos empresas com investimentos em outras áreas, como agricultura e outros sectores, para manter a empresa principal. É um modelo de negócio que não pode ser descurado”, afirmou.

O especialista destacou ainda que os media não podem continuar dependentes apenas da publicidade estatal, defendendo a criação de novas estratégias de geração de receitas para fortalecer a indústria.

Durante a sua intervenção, Tomás Vieira Mário abordou igualmente o papel do Estado na sustentabilidade do sector, defendendo o cumprimento do financiamento público à Rádio Moçambique e à Televisão de Moçambique, através dos chamados contratos-programa previstos na lei.

Na sua visão, o incumprimento deste mecanismo tem aumentado a pressão das empresas públicas de comunicação social sobre o mercado publicitário, reduzindo espaço para os operadores privados.

“O Estado tem o dever de financiar os órgãos públicos para diminuir a dependência da publicidade. Quando isso não acontece, a RM e a TVM entram também na disputa pelo mercado publicitário”, disse.

Tomás Vieira Mário referiu igualmente que a nova legislação da comunicação social prevê incentivos fiscais para os media, incluindo possíveis isenções na importação de equipamentos e benefícios tributários, medidas que considera importantes para aliviar os custos operacionais das empresas jornalísticas.

Outro ponto levantado foi a necessidade de uma distribuição mais equilibrada da publicidade institucional do Estado e das empresas públicas, defendendo que os anúncios públicos sejam repartidos de forma equitativa entre os diferentes órgãos de comunicação social, de acordo com o seu impacto e viabilidade.

O especialista questionou ainda o crescimento do número de televisões no país, levantando dúvidas sobre o cumprimento dos requisitos legais para o licenciamento e funcionamento de alguns operadores.

“A lei exige que as televisões provem que possuem meios próprios para operar. É preciso fazer um trabalho de supervisão para verificar se todos cumprem realmente os requisitos”, alertou.

Tomás Vieira Mário lamentou também a inexistência de uma associação forte e representativa das empresas jornalísticas em Moçambique, capaz de dialogar com o Governo e defender os interesses da indústria mediática.

Segundo recordou, desde finais da década de 1990 têm existido tentativas de criação de uma organização representativa do sector, mas sem sucesso. Para ele, esta fragilidade dificulta negociações importantes com o Estado, sobretudo em matérias ligadas à regulação e modernização tecnológica da comunicação social.

“Não estamos a conseguir que a mídia como uma indústria tenha uma uma associação própria com o qual possa dialogar com o governo. Quando foi a questão da digitalização da da televisão, foi complicado (…). Quem é que fala com com o governo?”, questionou acrescentando que é “estranho que esta indústria não consegue ter um órgão próprio forte e competente que dialogue com o governo, com as empresas, com interesses de indústria mediática”, concuiu.

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