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O Presidente da República, Daniel Chapo, apelou ao reforço do investimento português nos projectos de exploração de gás natural na província de Cabo Delgado, considerando que este é o momento ideal para as empresas se posicionarem num sector que deverá mobilizar cerca de 50 mil milhões de dólares nos próximos cinco a dez anos.
O apelo foi feito esta quinta-feira, em Lisboa, durante a participação no painel “Conversa entre Presidentes”, integrado no EurAfrican Forum, onde partilhou o palco com o Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, no âmbito da visita oficial que realiza a Portugal entre 14 e 17 de Julho.
Segundo Daniel Chapo, Moçambique dispõe actualmente de quatro grandes projectos de gás na Bacia do Rovuma. Os empreendimentos Coral Sul e Coral Norte representam investimentos estimados em cerca de 15 mil milhões de dólares, enquanto um projecto desenvolvido pela ENI e pela TotalEnergies deverá mobilizar mais 15 mil milhões de dólares. A estes junta-se o projecto da ExxonMobil, cuja decisão final de investimento é aguardada para o segundo semestre deste ano e está avaliada em aproximadamente 20 mil milhões de dólares.
No total, o Chefe de Estado afirmou que os investimentos previstos no sector do gás deverão atingir cerca de 50 mil milhões de dólares ao longo dos próximos cinco a dez anos.
“O momento certo para que as empresas possam posicionar-se em Moçambique é este, o da implantação dos projectos, porque quando chega à fase da operação já não há muita necessidade de mão-de-obra”, afirmou Daniel Chapo.
Durante o debate, foi igualmente destacada a linha de crédito de 500 milhões de euros entre Moçambique e Portugal, acordada em Dezembro do ano passado. O Presidente português, António José Seguro, afirmou que o mecanismo financeiro está “muito próximo de uma decisão final”, podendo contribuir para impulsionar novos investimentos portugueses no país.
Daniel Chapo recordou ainda que mais de 1.100 empresas portuguesas operam actualmente em Moçambique, enquanto Portugal figura entre os dez principais fornecedores do mercado moçambicano. As previsões apontam para um crescimento da economia nacional superior a 3% este ano.
Questionado sobre a estabilidade em Cabo Delgado, Daniel Chapo reconheceu a existência de alguma instabilidade política após as eleições do ano passado e defendeu o diálogo nacional inclusivo, envolvendo partidos políticos, organizações da sociedade civil e organizações não-governamentais, como o caminho para consolidar a paz e criar um ambiente favorável ao investimento. O Presidente admitiu ainda a possibilidade de promover alterações legislativas, caso sejam consideradas necessárias para fortalecer esse processo.



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