«Maus chefes» e medíocres, nem vê-los!

OPINIÃO

Por Afonso Almeida Brandão

Faz muito bem ir ao ginásio, seguir uma dieta regrada, evitar tabaco, álcool, noitadas e por aí adiante. O seu coração agradece. Mas se quer mesmo garantir a sua sobrevivência, apesar da dificuldade em encontrar novos empregos, fuja a sete pés dos chefes incompetentes, irascíveis e injustos que pululam por Moçambique, porque o efeito desta gente sobre a sua saúde pode revelar-se mortal. Pelo menos é o estudo de uma Equipa sueca que acompanhou mais de três mil trabalhadores homens, com idades entre os 18 e 70 anos.

A primeira tarefa pedida às “cobaias” (no bom sentido do termo, claro está!) foi a de que avaliassem a competência e o carácter de quem geria o seu trabalho. Depois, durante uma década, a sua saúde foi sendo avaliada, registando-se, neste período, 74 casos de empregados vítimas de problemas cardíacos graves, nalguns casos até fatais. Do estudo à lupa de todo este trabalho, foi possível perceber que existe, de facto, uma relação directa entre a doença e os maus chefes. Era esse o factor de risco que todos tinham em comum, e que assumia mais peso do que factores de risco como o tabaco, o álcool, as noitadas, a falta da boa alimentação ou a falta de exercício. Perceberam, também, que os efeitos secundários dos «chefes maus» e medíocres eram independentes do tipo de trabalho desempenhado, da classe social a que pertenciam, das habilitações que possuíam e inclusivamente do dinheiro que tinham na sua conta bancária. Descobriram, ainda, que o efeito de «um incompetente» a mandar, que provocava é cumulativo, ou seja, se trabalhar para um idiota aumenta em 25% a probabilidade de um enfarte, essa probabilidade crescia para 64% se o trabalhador se mantivesse naquela situação por mais de quatro anos.

A explicação é relativamente simples: quando alguém se sente desvalorizado, com um vencimento miserável — que é o “pão nosso de cada dia” entre nós —, sem apoio, injustiçado e traído, entra em stress agudo, que leva à hipertensão e a outros distúrbios que deterioram a saúde do trabalhador. Daí a importância do apelo que estes especialistas fazem de que as estruturas estejam atentas e «abatam» rapidamente os “chefes”e os “medíocres” que não merecem sê-lo. Esta é, em suma, a melhor solução que aqui deixamos em termos de aviso.

No nosso País os «maus chefes», «os medíocres» e «os incompetentes» são “uma praga” que cresce diariamente, a olhos vistos, em quase todas as áreas da sociedade moçambicana, com particular incidência nas Grandes, Médias e Pequenas Empresas — privadas ou institucionais —, nos estabelecimentos bancários, nos ministérios, nas forças armadas, na Saúde e no Ensino. É uma realidade confrangedora e lamentável, reconhecemos e que precisa urgentemente de sofrer profundas mudanças de raiz e substituir quem deve ser substituído — embora alguns dos «analfabetos» que conhecemos por aí até sejam «doutorados»!! É preciso colocar as pessoas nos seus devidos lugares e encontrar chefias responsáveis, competentes, qualificáveis e sérias. É uma situação que se arrasta há décadas — não tenhamos dúvidas disso! —, desde que Moçambique se tornou um País independente, democrático e livre a partir de 1975. Há que “arrumar” «a casa moçambicana» quanto antes, senhores…