Poetas D’Alma na rota do Festival de Poesia de Lisboa em Portugal

CULTURA

O Colectivo Poetas D’Alma prepara-se para compor a lista de participantes do Festival de Poesia de Lisboa, evento a acontecer no dia 12 de Setembro em Portugal. A performance poética que irá inaugurar o evento a ser exibido através das redes sociais do festival conta com os préstimos dos artistas Alena Bravo (Cuba), Féling Capela (Moçambique) e Yurungai (Brasil).

Trata-se de um concerto intimista e frontal que vai explorar temas autorais acompanhados de piano e mbira (instrumento tradicional da África Austral, especificamente Moçambique e Zimbábue), em que, através da palavra, os sentimentos ganham musicalidade única ao percorrer do amor à dor, passando pelas indiferenças dos mesmos.

Aliás, é um conceito que bem se assenta nos desideratos deste colectivo de poetas sem fronteiras, que se reúne por acreditar na poesia como expressão dos sentimentos da alma.

Esta oportunidade, no entanto, permite que Poetas D’Alma – colectivo cosmopolita com sua base em Moçambique – saia do seu casulo, torne-se libélula e voa para a cidade global.

“Estamos bastante felizes por este reconhecimento que começa a provar-se mundialmente, pois tínhamos até então o selo do maior Festival Internacional de Poesia e Artes Performativas no solo africano. Apesar da situação pandémica que todos vivemos, este convite sabe à glória divinal, pois teremos a oportunidade de espalhar o nosso perfume oral e visual para o mundo através das plataformas do Festival de Poesia de Lisboa”, refere o líder do colectivo, Féling Capela.

Ademais, Capela vê este convite como sinal inequívoco do respeito e admiração que este agrupamento vem granjeando há 17 anos. “Sentimo-nos valorizados e muito bem referenciados… O ‘sul’ tem agora lugar de privilégio no norte…”, secundou.

Esta participação, também, deveu-se ao facto de o Festival de Poesia de Lisboa ter acompanhado a curadoria e realização da 2ª edição do Festival Internacional de Poesia e Artes Performativas – Poetas D’alma, criado num período do auge e também de medo, trauma e desconhecimento da pandemia, e mesmo assim “em 2020 fomos praticamente das poucas organizações africanas e até mundiais que conseguiram realizar um festival híbrido com mais de 16 países”, sustenta Capela,

“Sentimos que muitos viram e aproveitaram aprender connosco, com a nossa curadoria e conceito de festival que promove, para além de simples intercâmbio, irmandade real que faz brotar redes de novos movimentos e interacção artística sem fronteiras”.

Nesta viagem virtual pelo mundo, partindo de Portugal, Poetas D’Alma pretende ser cada vez mais forte, aproveitando outros palcos para espalhar a sua luta poética: direitos humanos, paz e amor, bem como criar redes e outros públicos além-fronteiras.

De realçar que este evento não deixa de ser uma ponte para a realização da 3ª edição do Festival Internacional de Poesia e Artes Performativas – Poetas D’Alma a acontecer em Moçambique entre os dias 18 e 21 de Novembro.

Sobre os artistas

Alena Bravo é pianista e compositora nascida em Cuba. Desde muito cedo interessou-se pela música e a sua capacidade de tocar e partilhar culturas. É vocalista e pianista, com sonoridades singulares, despertando a leveza e a naturalidade através de melodias surreais.

Féling Capela é poeta, fotojornalista, activista social e produtor cultural, nascido em Moçambique. Capela explora todas as ferramentas a seu dispor para expor a sua arte de forma apaixonante e frontal. Suas lentes e a sua voz com uma capacidade única para contar histórias que fazem ponte entre várias culturas elevando o valor das artes africanas em particular.

Yurungai é cantora, compositora, poeta natural do Brasil. Suas composições falam sobre a experiência de se reconhecer no mundo, sente-se com um espírito atemporal: os temas das composições sempre flertando com passado, presente e futuro; brincando com o que está dentro e fora do tempo. Entre Aspas