O antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, considerado master mind do escândalo das dívidas ocultas, será extraditado, hoje, da África do Sul a Moçambique, segundo apurou o Jornal Evidências de fontes da embaixada de Moçambique em Pretória.
Caso não haja nenhuma alteração de última hora, ainda na tarde de hoje um voo da Força Aérea moçambicana poderá aterrar no Aeroporto Internacional de Mavalane, em Maputo, com Manuel Chang abordo onde deverá ser detido pelas autoridades moçambicanas, antes de ser levado para estar presente a um juiz para a legalização da sua prisão.
Evidências apurou que a Interpol havia se oferecido a trazer o antigo ministro, mas essa opção foi descartada para evitar que em caso de avaria do aparelho fosse aterrar de emergência num país vizinho com acordo de extradição com os Estados Unidos.
A chegada de Chang acontece dois dias depois do Ministério da Justiça sul-africano ter confirmado a sua extradição para Moçambique, por considerar haver condições para que seja julgado e responsabilizado no seu país de origem. Ao que tudo indica, pesou muito para a tomada dessa decisão, o arranque, esta segunda-feira, do julgamento do caso das dívidas ocultas.
Recorde-se que após ser por várias vezes citado pelo arguido Cipriano Mutota, antigo chefe do departamento de Estudos e Projectos do Serviço de Informação e Segurança de Estado (SISE), na primeira audição, o assistente do processo, a Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) requereu ao juiz Efigénio Baptista, que o cidadão Manuel Chang seja ouvido neste processo como declarante.
O pedido foi inclusive apoiado por alguns advogados de defesa, facto que levou o pedido das partes processuais ainda que na condição suspensiva, pois até a noite de ontem não havia clareza sobre quando é que iria ser extraditado.
De referir que Chang não é réu no processo agora em julgamento, contudo contra o antigo ministro das Finanças corre um processo autónomo com o n° 536/11/P/2019, cuja instrução preparatória foi concluída em Novembro de 2020 e já foi remetido ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo.
Manuel Chang é indiciado pelo Ministério Público de prática dos seguintes crimes: violação da legalidade orçamental, corrupção passiva para acto ilícito, abuso de cargo ou função, associação para delinquir e peculato e branqueamento de capitais.
Para além do antigo ministro das Finanças, no mesmo processo vão ainda acusados mais três arguidos, todos antigos funcionários do Banco de Moçambique, que deverão responder pelos crimes de abuso de cargo ou função. Ainda não há data marcada.
Manuel Chang é tido como uma espécie de caixa negra das operações que culminaram com a contratação das dívidas ocultas e as suas revelações, em sede do tribunal poderão causar um autêntico “Tsunami” na esfera política nacional.

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