Instrutores da ESAPOL de Nhamatanda acusados de torturar agentes da PRM até a morte

POLÍTICA SOCIEDADE
  • Durante treinos de reciclagem

Instrutores da Escola de Sargentos da Polícia Tenente General Oswaldo Assael Tazama (ESAPOL), no distrito de Nhamatanda, Província de Sofala, estão sob fogo cruzado, desde semana passada, na sequência da estranha morte de dois agentes da Polícia da República de Moçambique que estavam a cumprir treinos de reciclagem naquele centro de formação de sargentos da polícia. Evidências ouviu alguns colegas dos finados que denunciam maus tratos e condições desumanas durante os treinos, uma tese, no entanto, desmentida pelo porta-voz da ESAPOL.

Jossias Sixpence – Beira

Recentemente, o Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique, Bernardino Rafael, mostrou-se desapontado com agentes da lei e ordem por estarem fora de forma e não respeitarem princípios deontológicos e profissionais.

Com vista a purificar as fileiras, Rafael ordenou para que alguns agentes fossem para reciclagem para lembrarem do que aprenderam durante a formação, e um dos locais escolhidos foi a Escola de Sargentos da Polícia Tenente General Oswaldo Assael Tazama.

Entretanto, a ideia de reciclagem resultou em luto e um número considerável de agentes internados. Dois agentes da PRM não conseguiram suportar a intensidade dos treinos e acabaram perdendo a vida, e outros ainda estão nos cuidados intensivos do Hospital Central da Beira.

Segundo os colegas dos perecidos, maus tratos e torturas estão por detrás da morte dos dois agentes da lei e ordem, uma vez que os mesmos treinavam em condições desumanas e sem direito a água.

De acordo com alguns agentes que se fizeram presentes no velório daqueles que em vida eram seus colegas de profissão, os agentes que foram chamados para a reciclagem não aguentaram o tratamento desumano a que eram submetidos pelos instrutores da ESAPOL.

Ao evidências, os agentes da polícia denunciaram que mesmo quando ingressaram em Matalane não tiveram aquela intensidade de treinos.

“Eu considero isto como tortura, porque somos submetidos a treinos  às 10 horas, no sol de aproximadamente 40 graus, para percorrer quase 30 km, para depois voltar a preparação física para carregar pneus, sem direito a descanso, nem água”, revelou a fonte, para depois acrescentar que durante os treinos os policias são proibidos de beber água pelos instrutores.

“Durante os treinos eram evidentes sinais de mau-estar nos dois agentes que acabaram perdendo a vida devido a intensidade dos treinos. Por não aguentarem mais, eles clamaram por socorro, mas foram copiosamente ignorados pelos instrutores que nos proibiam de beber água, mesmo estando embaixo de um sol ardente. Foi depois da chamada de atenção de outros instruendos que foram chamados os médicos, contudo já era tarde, visto que os dois agentes acabaram perdendo a vida”.

No entanto, como sempre em defesa própria, o porta-voz da ESAPOL, Roberto Roberto, refutou a possibilidade de maus tratos e torturas como causas da morte dos dois agentes, tendo igualmente explicado que é a primeira vez que um incidente do género acontece naquele centro de instrução de sargentos da polícia.

“As informações médicas é que vão nos dizer as reais causas da morte dos colegas. Neste momento, os corpos foram transladados ao HCB para autópsia, e criou-se uma comissão de inquérito que integra uma equipa técnica e o chefe da equipa dos estudantes que estiveram nas actividades”, afirmou o Roberto.