Machatine reconhece incompetência das empresas de construção confiadas pelo Governo 

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A tempestade tropical Ana veio, mais uma vez, testar a qualidade “duvidosa” dos empreiteiros chineses em Moçambique, assinando, de certa forma, o certificado de incompetência do ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, João Machatine, que tem ignorado as construtoras nacionais alegando que não tem qualidade para executar obras. Entretanto, na segunda – feira, 28 de Fevereiro, Machatine deu a mão à palmatória, reconhecendo que há empresas de construção cujos alvarás não correspondem ao que alegam saber fazer. advertiu que haverá penalizações se a situação não mudar.

No balanço feito pelo Governo, a tempestade tropical ANA destruiu infraestruturas precárias. Entretanto, a Ponte sobre o rio Licungo, na Zambézia, um investimento público resiliente a mudanças climáticas, não resistiu à fúria das águas. De acordo com João Machatine, uma das causas da degradação das infraestruturas públicas, meses depois da sua construção, é a má qualidade das obras executadas por empresas com competências duvidosas.

Se por um lado, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, avançou, na abertura do seminário da Ordem dos Engenheiros sobre “Mudanças Climáticas na Hidrologia de Moçambique, nas Obras de Arte de Engenharia com ênfase nas Pontes, Drenagens Urbanas e Estradas Nacionais, que os problemas técnicos nas empresas de construção foram despoletados pela Inspecção Geral do Trabalho, que apurou outras transgressões. Por outro, o governante aliou a competência das construtoras aos engenheiros que são responsáveis pela má qualidade das obras, tendo instado a Ordem dos Engenheiros para credenciar profissionais qualificados e que preencham os requisitos necessários.

“A Ordem deve certificar engenheiros que estão devidamente à altura dos desafios do nosso país. Se formos rigorosos neste aspecto, tudo e o resto vai caminhar positivamente”, disse João Machatine.

Numa outra abordagem, Machatine, para além defender a criação de um código de ética e deontologia profissional dos engenheiros, considerando que este instrumento pode ser importante para mitigar desmandos protagonizados por alguns profissionais, apelou aos engenheiros para elaborar um orçamento adequado na construção de infra-estruturas resilientes a mudanças climáticas

“Com o juramento que os engenheiros vão fazer através deste instrumento legal, os engenheiros não se vão deixar levar com práticas nocivas à nossa classe. A manutenção e a reabilitação de infra-estruturas têm que ter em conta as mudanças climáticas, mas também o respectivo impacto orçamental. Se nós quisermos avançar na posição radical de banir os prevaricadores, a economia nacional vai ressentir-se de impactos negativos, por isso é preciso prevenir e capacitar os empreiteiros e a Ordem tem um papel importante neste aspecto”, observou Machatine.

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