A morte como absolvição da presidência

OPINIÃO

Dionildo Tamele

A política doméstica está ao rubro nos dois últimos anos, envolvendo diversos actores que influenciam a dinâmica de todo o processo da construção do tecido social moçambicano, ou melhor, nas piores das hipóteses, se formos a fazer uma pequena imaginação sociológica, como diria o sociólogo americano Wright Mills (1990), no seu livro “A promessa”, podíamos começar a fazer presunções segundo as quais Chissano matou Nyimpine, Guebuza matou Valentina e Nyusi quem vai sacrificar para manter a sua hegemonia política depois de sair da presidência, tendo em conta que não se duvida que ele, tal como os seus antecessores, tem um rabo preso na gestão da coisa pública.

O presente artigo não tem nenhuma pretensão de trazer resposta sobre a vida política das figuras que nos últimos trinta e cinco anos desenharam o percurso da história da vida da população moçambicana, em função de como eles geriram as suas administrações no período que estiveram na presidência como símbolos de Moçambicano ao nível da região da África Austral, CPLP e na geopolítica internacional.

Estamos cientes que as organizações políticas moçambicanas que de facto são empresas privadas que concorrem sempre em cada cinco anos para as eleições autárquicas, presidências e nos últimos pleitos acrescentou-se as eleições para os governadores provinciais, que é um passo de extrema importância para o nosso processo da democratização aliado a descentralização que o país já introduziu desde as primeiras eleições presidenciais e autárquicas.

A Frelimo tem sido a única organização privada que tem conseguido ter o privilégio de estar a gerir administração pública do país em todos os sentido, partindo da presidência, dos tribunais até ao parlamento, uma coisa deve estar claro ninguém não deve negar, o esforço que esta organização política tem implementado nos últimos anos ao nível interno, vezes sem conta mesmo com algumas clivagens internas que têm surgido, sabendo, de certa forma, fazer face a elas. O que difere de algumas forças políticas, sendo que a Renamo tem estado a registar uma mera melhoria no sentido da sua organização, na perspectiva de que o partido, nos últimos anos, tem saído da imagem do líder mor para se consagrar enquanto uma alternativa política para os eleitores moçambicanos, tanto os do centro, norte e sul do país. Por último, o MDM é daquelas organizações políticas que pode ver seu fim trágico dentro de alguns dias, devendo isso a sua organização, que entende que esta empresa privada deve ser dirigida pela família Simango, o que de alguma forma coloca em queda livre a organização.

Mas voltemos ao nosso argumento central do presente artigo, que está associado a maneira como os líderes da Frelimo que tiveram a oportunidade de liderar o país não conseguiram, de modo algum, ser imparciais na sua governação, no sentido de compreender que estavam a dirigir o país e as suas famílias não eram deste processo de governação. Daí que este artigo procura questionar as reais causas das mortes do primogênito do Chissano e da filha querida de Guebuza, e procurar fazer uma mera introspecção da popularização de Florindo Nyusi, filho do actual presidente, que tem se apropriado do símbolo que seu pai tem de governar o país para fazer e desfazer, sem se importar com nada. A política moçambicana ainda está aquém da real dimensão real daquilo que os cientistas políticos pretendem que seja a formação de um Estado, pese embora Jean Jacques Rousseau, no seu livro Contrato Social, reconheça que a família é a base social de uma sociedade, de modo algum ele procura personalizar e fazer-se culto às famílias dos reis, ou melhor dos que cuidam dos negócios do Estado. Espera-se que quando Nyusi sair da presidência, primeiro, nenhum filho dele seja morto ou seja arguido, muito menos declarante, e por último não haja perseguição política.