O que tem feito o nosso Ministério da Educação?

OPINIÃO

(Para todas os nossos Alunos e Professores de Moçambique)

Afonso Almeida Brandão

«Toda a caminhada começa por um passo», disse-me um dia o saudoso Amigo e Poeta José Craveirinha, sentado à mesa da Esplanada do velho «Café Continental», enquanto bebíamos um refresco e dávamos “dois dedos” de conversa.

Por maior que seja o caminho, por mais longa que a estrada pareça, há sempre um passo, um primeiro passo para iniciar o percurso. Lembrei-me dele, agora, por causa da abertura do Ano Escolar ocorrido no nosso País.

Esse primeiro passo foi dado no passado mês de Março por milhares de crianças por esse país fora. O passo, o primeiro que as levará à idade adulta. O primeiro passo é separá-las do reino doirado da Infância, da meninice. O primeiro passo no mundo do trabalho, dos deveres, das responsabilidades.

Para que esse primeiro passo seja dado com segurança e alegria, que essa longa estrada seja iniciada com a certeza que será uma boa e excitante caminhada, depende quase por completo do Professor Primário, em primeiro lugar.

Porque, na verdade, aprender a ler, aprender a transformar símbolos estranhos e esquisitos em letras, as letras em palavras, as palavras em imagens e frases que fazem (ou que façam) sentido, que querem dizer coisas que conhecemos ou que desconhecemos e podemos imaginar, aprender que essas palavras são depois pertença de cada um e que cada um as pode juntar para contar coisas, inventar coisas, transmitir coisas a outras pessoas, perto ou muito longe de nós, é realmente uma aventura maravilhosa, qualquer coisa de extraordinário que, infelizmente, nem todos os professores são capazes de transmitir, nem todos os Alunos são capazes de absorver, independentemente do grau académico em que estejam.

E o mesmo pode e deve acontecer com os números, com a Geografia, História, Matemática, Física ou qualquer outra disciplina.

Porque qualquer matéria pode ser interessante, tudo dependendo da forma como é veiculada, como é oferecida, como é exposta pela primeira vez.

Evidentemente que cada aluno é um caso à parte. Cada um terá as suas próprias inclinações e apetências — mas também as suas limitações de assimilação e dificuldade. Mas, se tiverem a sorte de encontrar um bom Professor Primário, uma pessoa competente, carinhosa e imaginativa, nenhuma matéria lhes será jamais odiosa no Futuro.

Muitos alunos dizem detestar Matemática ou Português, por exemplo.

Se formos a verificar, esses alunos seriam tão capazes, como qualquer outro, de aprender os segredos, à primeira vista, áridos da Matemática, se as regras complicadas da escrita de um texto, se tivessem tido, aquando do seu primeiro passo, alguém que soubesse fazer dessas matérias a tal aventura, a tal fantástica caminhada de descoberta em descoberta.

Mas o que encontrou, muitas vezes, é (ou foi) um Professor que gostaria de ter sido qualquer outra coisa bem diferente, mas que, de todas as portas fechadas, apenas encontrou aberta a porta do Ensino.

E não pode… não deveria ser assim.

Porque o Professor Primário é, quer sim quer não, o ELO mais importante, mesmo fundamental, na Formação Intelectual e até Moral e Afectiva de qualquer Criança — defendia o saudoso Poeta, e com razão.

Quem começa a caminhada em desequilíbrio, dificilmente se equilibrará no meio dela. Seria bom, pois, que as opções de cada Professor — independentemente de estarem ligados ao Ensino Primário, Secundário ou Universitário — fossem tidas em consideração e tomadas com lucidez e responsabilidade.

O que, em grande parte dos casos, infelizmente, não acontece com a maioria dos Professores e nos nossos Estabelecimentos de Ensino, sejam eles de que nível forem, espalhados de Sul a Norte de Moçambique, quer a nível oficial, quer a nível particular, onde as mensalidades são pagas «a peso de ouro» — e já lá vai o tempo, se bem me lembro, de serem pagas em divisas, de preferência em Dólares USD…

E o que tem feito, até há data, o nosso Ministério da Educação e o seu responsável máximo sobre este assunto?!…

Francamente, muito pouco ou mesmo nada, exceptuando a medida aplaudida de ter proibido o pagamento dessas mensalidades em moeda estrangeira.