Reitor “impõe” título de Honoris Causa a Filipe Nyusi

DESTAQUE POLÍTICA
  • UEM vai lavar imagem de Nyusi dias antes do Congresso
  • Antes de Nyusi lhe nomear reitor, Reitor Manuel Guilherme era um “lambebotas”
  • Agora prossegue com a missão de “defender a honra e imagem” do Chefe de Estado
  • Conselho Universitário, o único deliberativo, não foi consultado, apenas um e outro sabem
  • “Isso não vai mudar a percepção que se tem do Presidente”- desabafa um docente

 

O reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Manuel Guilherme Júnior, um antigo boy de recados, que chegou ao cargo depois de um tremendo esforço político, vai arrastar a maior e mais antiga universidade do país para a actual campanha de lavagem de imagem do Presidente da República, Filipe Nyusi, tendo em vista as batalhas políticas que lhe esperam no XII Congresso da Frelimo que se avizinha. Com efeito, no próximo dia 16 de Setembro, apenas uma semana antes do Congresso, a UEM vai atribuir o título de Doutor Honoris Causa ao Presidente Nyusi, pela sua alegada entrega na Promoção do Meio Ambiente. A decisão de atribuir, numa marcha feita às pressas, foi exclusiva do Conselho de Reitoria, não se conhecendo a contribuição dos Conselho de Directores e Conselho Académico. O Conselho Universitário, por sinal o único deliberativo, não foi consultado, apenas um e outro membro foi informado da decisão. Entre a classe académica, o título é também visto como agradecimento pelo esforço empreendido, a nível político, para que Guilherme, nomeado em Abril passado, fosse repescado do segundo lugar.

A UEM, sob proposta de Manuel Guilherme Jr., pretende atribuir, no próximo dia 16 de Setembro, ao Presidente da República, Filipe Nyusi, o título de Doutor Honoris Causa em Meio Ambiente. Trata-se de uma cerimónia que está a ser preparada no maior secretismo e que vai encerrar a actual campanha de lavagem de imagem do actual Presidente da República.

Filipe Nyusi, que nas últimas semanas tem estado activo com “recados” para todos os lados, enquanto é arrastado a reboque por seu super-ministro Celso Correia para inaugurar alguns empreendimentos ligados ao agronegócio pelo país, vai receber o Doutor Honoris Causa, a apenas uma semana do XII Congresso da Frelimo.

Segundo apurou o Evidências, a atribuição do título, longe de ser consensual na comunidade científica da maior e mais antiga universidade do país, a uma semana do Congresso visa consolidar uma imagem de consenso em várias esferas da sociedade moçambicana, tendo em vista angariar legitimidade dos delegados.

Este título vai encerrar uma campanha que começou há algumas semanas, com o lançamento do famoso Plano de Aceleração Económica, que até agora só mora no campo de expectativas; seguida do lançamento de algumas iniciativas com apadrinhamento das instituições de Bretton Woods, que há dias anunciaram um pacote de ajuda de mais de 950 milhões de dólares.

O assunto é comentado em voz baixa na UEM por não colher consenso. O facto de não ter seguido os procedimentos comuns, como ocorrer no último ano ou mesmo no fim do mandato e não ter havido consulta ao Conselho Universitário, o único órgão deliberativo, que reúne várias especialidades, limitando-se a órgãos consultivos (e não todos), pode vir a colocar em causa a legitimidade do título.

Mas não é apenas a legitimidade do título que é questionável, a forma como Guilherme chega à UEM, o esforço político empreendido, sugere tratar-se da hora de retribuir o favor político, curiosamente de Filipe Nyusi, que o nomeou contra todas as expectativas da comunidade científica.

Guilherme foi retirado do “grupo de choque”, constituído para defender a “honra e imagem” de Nyusi, e o seu capital universitário tem sido bastante questionado pelos colegas, principalmente após ser repescado do segundo lugar para ocupar o cargo de reitor da maior e mais antiga instituição de ensino superior em Moçambique.

Antes de ocupar o cargo para substituir Orlando Quilambo, Guilherme Júnior era a principal figura da Televisão de Moçambique (TVM) na análise de assuntos políticos do país, como parte do choque a par de Egídio Vaz, Julião Arnaldo, Dércio Alfazema, Gustavo Mavie, entre outros que “pulula(va)m” pelas televisões e redes sociais com objectivo de branquear a imagem do PR.

O reitor da UEM integrava a lista de três nomes enviados ao Chefe de Estado pelo Conselho Universitário da UEM, após as eleições realizadas a 30 de Março do presente ano. No entanto, Guilherme Jr. era o segundo da lista. E o seu resgate foi visto como parte de um agradecimento pelo seu exercício.

Mas o seu percurso dentro da instituição não colhe consenso entre os colegas que questionam o seu capital universitário. Informação constante no site da UEM indica que ele foi membro do Conselho Universitário daquela instituição desde 2012, órgão que terá deixado de lado na sua recente empreitada. Consta ainda que tem Doutoramento em Direito pela UEM; Mestre e Pós-Graduado em Direito Comercial Internacional, pela Faculdade de Direito da Universidade de Macau (2008); e Licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito da UEM (2005)

A vez de retribuir o favor

A UEM é constituída por quatro órgãos, nomeadamente o Conselho de Reitoria, Conselho de Directores, Conselho Académico e o Conselho Universitário. Todos são consultivos, com a excepção do último, que é o deliberativo, reunindo, para o efeito, membros dos vários domínios da ciência.

A primeira questão com que nos deparamos quando consultamos alguns integrantes do Conselho Universitário da UEM sobre os argumentos que sustentam a atribuição de Doutores Honoris Causa em Defesa e Meio Ambiente foi que este órgão deliberativo não foi consultado, que se trata de uma atribuição que tem mais a ver com a forma como o novo reitor chega, do que pelo mérito de Chefe do Estado.

Um dos docentes chegou a afirmar que “o que posso te dizer é que isso não nos preocupa, pois não vai mudar a percepção que se tem do presidente e muito menos do reitor! É (o título) algo sem importância!”.

Formalmente, o órgão disse que não tinha conhecimento da atribuição deste título, mas há membros que já dizem ter recebido o convite, o que indicia atropelo dos procedimentos internos.

A nova empreitada foi “coincidentemente” forçada para que acontecesse a menos de uma semana de XII Congresso, um momento em que há uma certa combinação de esforços para reforçar o peso da imagem do Chefe do Estado, que é também presidente da Frelimo, ou seja, a maior e mais antiga universidade do país está visivelmente capturada e ao serviço da propaganda política de facções políticas dentro da Frelimo.

Dentro e fora do partido Frelimo, o Presidente Nyusi tem uma imagem fragilizada, devido aos vários dossiers que criaram, no caso do partido, várias facções. Mas também viu a sua imagem beliscada por um claro vazio de ideias nos momentos de crise dos moçambicanos, mas também devido às dúvidas sobre o seu envolvimento no caso das dívidas ocultas;

Onde está o mérito?

No domínio do meio ambiente, Manuel Guilherme vai, se calhar, destacar a Operação Tronco, a revitalização das Áreas de Conservação, como a Reserva do Niassa, onde algumas fontes falam de interesses económicos, pessoais, do que da nação, entre outras acções neste domínio que fizeram que Moçambique se tornasse o primeiro país a receber Pagamentos por Reduções de Emissões do Mecanismo de Parceira de Carbono Florestal.

Para saber o que diz a resolução que confere tútulo honorífico a Nyusi, veja a síntese neste link: https://evidencias.co.mz/2022/09/09/titulo-honorifico-a-nyusi-conselho-academico-usurpou-competencias-do-c-universitario/

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