Ossufo Momade montou um campo inclinado e goleou seus adversários

DESTAQUE POLÍTICA
  • Soma de todos votos de seus adversários não eram suficiente para vencê-lo
  • Obteve mais de 57% de votos e para além de manter a presidência é candidato
  • Não foram vistos nas urnas os 80% que Venâncio Mondlane disse ter no Congresso

Como era de esperar, depois de ser, de forma madrugadora, alertado sobre as movimentações de potenciais desafiantes, com Venâncio Mondlane, seu antigo assessor, à cabeça, Ossufo Momade montou sua própria estratégia de defesa e, diga-se em abono da verdade, vincou no Congresso. Com efeito, Ossufo Momade, que se acreditava estar fragilizado, conseguiu vencer de forma “retumbante e asfixiante”, com números que superam de longe a soma de todos os votos dos restantes cinco candidatos derrotados, ou seja, obteve 382 votos, enquanto os votos de seus opositores somados totalizavam 282, ou seja, menos 100 que o vencedor.  O resultado expressivo de Ossufo Momade não só mostra que o jogo decorreu num campo “inclinado”, ou seja, com tudo montado para favorecer o presidente do partido, como também expõe uma alegada “mentira” que Venâncio Mondlane, horas antes do arranque da votação, havia assegurado à imprensa ter apoio de pelo menos 80% dos Congressistas na sala.

Contra todas as expectativas dos moçambicanos, Ossufo Momade conseguiu eleger-se de forma expressiva no último Congresso do partido realizado entre os dias 15 e 16 de Maio corrente em Alto Molócue, província da Zambézia.

Para tanto, arrumou de uma só vez cinco candidatos, numa lista de candidatos composta por nomes de destacados membros da perdiz como Ivone Soares, Elias Dhlakama, André Majibiri, Alfredo Magumisse e Salvador Murema. No princípio eram nove candidatos, mas três desistiram e endossaram seu apoio a Ossufo Momade.

Com um universo de 710 eleitores na sala, foram registados 674 votos na urna, dos quais 664 validamente expressos, 26 abstenções, quatro nulos e seis em brancos, Ossufo Momade levou a melhor e diga-se de forma retumbante.

É que somados todos os votos dos candidatos derrotados totalizam 282, menos 100 votos em relação aos 382 obtidos por Ossufo Momade nas urnas, num Congresso montado à sua medida e imagem.

Quer isto dizer que mesmo juntando todos os votos de Elias Dhlakama (147 = 22,4%), Ivone Soares (78 = 12%), Alfredo Magumisse (40 = 6%), André Magibire (15 = 2%) e Salvador Murema (2 = 0,3%) não seria suficiente para vencer Ossufo Momade, que acabou sendo declarado candidato do partido no dia seguinte.

Tal como se pode depreender, Ossufo Momade conseguiu montar uma estratégia para vencer as eleições, enquanto os outros candidatos, convencidos de que este era letárgico, foram ao Congresso desprevenidos.

Mas o que não sabiam, ou no mínimo desvalorizaram, era o facto de Ossufo Momade ter montado uma estratégia para assegurar o poder, graças, em parte, ao tiro madrugador de Venâncio Mondlane, que anunciou a sua candidatura e agitou as águas, deixando o presidente da perdiz em alerta.

Ciente do perigo que corria, Momade começou então a remover algumas pedras no seu sapato, destituindo delegados provinciais e distritais que não lhe eram totalmente leais. Tratou-se de um processo que foi conturbado e que levou a processos no tribunal, no entanto, a colocação de pessoas leais a si o permitiu ter o controlo de todo o processo, de tal sorte que parte dos Congressistas foram escolhidos a dedo com clara missão de viabilizar a sua vitória.

Venâncio Mondlane mentiu sobre os 80% de votos que tinha garantidos?

Venâncio Mondlane foi o grande ausente do Congresso da Renamo que decorreu entre 15 e 16 de Maio em curso, em Alto Molócuè, província da Zambézia. Apesar de ter tentado fazer de tudo para estar na reunião magna, acabou impedido de participar, mesmo tendo em mãos uma última providência cautelar que o autorizava a participar.

Não só não participou como também viu também liminarmente goradas todas as chances de chegar à presidência da Renamo, uma das suas principais ambições.

Inconformado como sempre, Venâncio Mondlane ainda marchou pelas artérias de Alto Molócuè, acompanhado por uma legião de admiradores, mas foi debalde, pois o caldo já estava entornado.

Numa longa conferência de imprensa nas cercanias do local do Congresso, VM7 anunciou uma grande certeza. Disse que tinha apoio suficiente na sala do Congresso para vencer de forma expressiva. Indo mais longe, chegou mesmo a referir que tinha recebido garantias de apoio de 80% dos congressistas assegurando seus votos a si.

No entanto, uma simples interpretação dos números expressos nas urnas expõe aquilo que já é tido como uma mentira de Venâncio Mondlane, que pode ter se equivocado ao referir que tinha votos garantidos de 80% dos eleitores.

É que, ao vencer com mais de 57%, sem precisar de uma segunda volta, Ossufo Momade provou que tinha tudo orquestrado para a sua vitória e que Venâncio Mondlane dificilmente podia ter dentro da sala do Congresso o apoio que disse que tinha, pois se realmente VM7 tivesse o referido número de eleitores, teria havido voto de vingança, como aconteceu na Frelimo.

É até uma questão de lógica, pois é praticamente improvável que supostos apoiantes de VM7 (80%) votassem em Ossufo Momade, sobretudo depois da forma como este foi afastado do processo. O mais provável seria um voto direcionado a um dos cinco candidatos para punir Ossufo Momade, o que não aconteceu.

Entretanto, apesar desta vitória expressiva de Ossufo Momade, há uma crença quase que generalizada de que poderá não ter sido a melhor aposta para a Renamo, o que fez surgir um coro, pelo menos nas redes sociais, de pessoas que alegam que não vão votar nas eleições de Outubro próximo.

Manuel de Araújo entre os “desembarcados”

Horas depois da reeleição de Ossufo Momade, os congressistas elegeram os 120 membros do Conselho Nacional e membros da Comissão Política, um processo marcado por novas entradas e quedas, algumas até retumbantes.

Entre os que não conseguiram renovar o seu mandato nos órgãos mais importantes do partido o destaque vai para o professor Manuel de Araújo, que não conseguiu se eleger para continuar como membro do Conselho Nacional, num processo que foi marcado pela entrada de muitos jovens.

Outro “tombo” digno de realce é de Alfredo Magumisse, deputado e antigo porta-voz da Comissão Política, que não conseguiu renovar o seu mandato neste órgão, e informações disponíveis indicam que pode não ter conseguido ser eleito para o Conselho Nacional.

Entre os candidatos derrotados, segundo fontes da própria Renamo, apenas Elias Dhlakama e Ivone Soares é que conseguiram eleger-se para o Conselho Nacional. André Magibiri, que chegou a ser secretário-geral, não só teve apenas 15 votos nas eleições ao cargo de presidente, como também não conseguiu se eleger para os órgãos mais importantes.

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