Vitória sem vitória: meio século de independência sem libertação económica

DESTAQUE POLÍTICA
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  • Dia Sete de Setembro celebrado com indagações

 No passado fim-de-semana, 7 de Setembro, o Presidente da República, Daniel Chapo, escolheu a Praça dos Heróis Moçambicanos para lançar um alerta que ecoa como incómodo: Moçambique continua refém de forças externas e internas que, com diferentes manobras, procuram perpetuar a pobreza e travar a independência económica. O aviso surgiu durante a celebração do Dia da Vitória, que evoca a assinatura dos Acordos de Lusaka, em 1974, entre a Frelimo e o governo português, momento que encerrou séculos de dominação colonial e abriu as portas da independência.

 Elisio Nuvunga

“Sabemos que existem forças ocultas, internas ou externas, que tentam perpetuar a pobreza do nosso povo. Mas nós, desta geração independente, somos capazes de eliminar a corrupção, o nepotismo, o regionalismo e o tribalismo”, afirmou Chapo, num discurso que quis transformar a memória de Lusaka num apelo à acção.

O Chefe de Estado sublinhou que a independência política de 1975 trouxe símbolos de soberania, bandeira, hino, moeda, passaporte, mas que falta concretizar a independência económica. E desafiou os moçambicanos a olharem para o 7 de Setembro não como simples feriado, mas como exercício de reflexão, sobretudo neste ano em que o país celebra meio século de independência.

Parte do discurso foi dedicada aos combatentes. O Presidente destacou apoios concretos: 260 bolsas de ensino superior, 374 de ensino técnico-profissional e isenção de matrículas para 6.768 estudantes filhos de veteranos. Foram ainda condecorados mais de 1.100 combatentes, somando-se agora 25.742 medalhados. Mas o tom não foi apenas celebratório, foi também de cobrança pela dignidade de quem fez nascer a nação.

Chapo concluiu com um aviso moral: só a ética, a integridade e a honestidade poderão sustentar o futuro. “Os protagonistas de Lusaka plantaram a semente da independência política; cabe-nos regá-la para colher a independência económica.”

O eco da FRELIMO: vencer a pobreza

Na mesma cerimónia, o Secretário-Geral da FRELIMO, Chakil Aboobacar, reforçou a mensagem: “O grande desafio da nossa geração é vencer a pobreza e consolidar a independência económica. A juventude é o ingrediente principal para esse futuro.”

Confrontado com críticas de jovens que acusam exclusão por não pertencerem ao partido no poder, Aboobacar rejeitou dizendo: “O presidente Chapo governa para todos. O tempo da disputa eleitoral terminou, agora é hora de unir esforços pelo desenvolvimento.”

Joaquim Chissano recordou que Lusaka foi “o reconhecimento da vitória do povo moçambicano” e apelou ao trabalho incansável para preservar esse legado. Esperança Bias evocou a coragem da juventude da luta de libertação como exemplo de disciplina e entrega para os jovens de hoje.

António Hama Thai destacou a educação e a ciência como armas centrais da nova batalha. Margarida Talapa defendeu unidade nacional e reconciliação, enquanto a Primeira-Ministra Benvinda Levi pediu superação de ressentimentos: “Precisamos de identificar as feridas, sarar com propósito e racionalidade, e continuar a edificar o país pelo qual lutámos.”

Também o Conselho Constitucional, o ministro do Interior e o Provedor de Justiça sublinharam que o futuro depende de esforço colectivo, memória histórica e aposta produtiva, sobretudo da juventude.

O ministro do Interior, Paulo Chachine, destacou a importância de compreender a história para projectar o futuro. “O 7 de Setembro é parte da nossa existência. Deve ser celebrado, estudado e interiorizado, para entendermos o seu significado real e seguirmos o exemplo dos que sacrificaram as suas vidas pela independência”, afirmou.

Na mesma linha, o Provedor de Justiça, Isac Chande, apelou a uma maior aposta na produção. “Todos temos responsabilidade na construção deste país. Mas é, sobretudo, a juventude que deve se envolver nos processos produtivos, para que Moçambique cresça e os resultados da vitória sejam usufruídos por todos”, concluiu.

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