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A Nova Democracia (ND) defendeu, esta segunda-feira, uma revisão profunda da história oficial de Moçambique, exigindo o reconhecimento de heróis nacionais para além das fileiras do partido Frelimo. Para a formação política, a independência nacional foi o resultado de um movimento plural e popular, e não obra exclusiva de uma única organização.
Edmilson Mate
Num comunicado divulgado por ocasião do 3 de Fevereiro, Dia dos Heróis Moçambicanos, a ND contesta a narrativa dominante que apresenta a Frelimo como a única força libertadora do país. “Não foi o partido Frelimo que libertou Moçambique, mas o movimento de que todos nós fizemos parte”, sustenta o documento, sublinhando o carácter colectivo da luta contra a colonização.
O partido destaca que milhares de moçambicanos, muitos deles anónimos, derramaram sangue, ficaram com deficiências permanentes ou foram lançados na pobreza como consequência directa da guerra de libertação. Camponeses, artesãos, mulheres, jovens, idosos e até crianças afectadas pelo conflito são apontados como verdadeiros pilares da independência, hoje ausentes da história oficial.
Para a ND, liderada por Salomão Muchanga, a exclusão destes actores não é acidental, mas sim política. Segundo o comunicado, heróis associados a partidos da oposição são marginalizados, estigmatizados como inimigos da pátria e apagados da memória colectiva, enquanto um grupo restrito de figuras continua a ser exaltado pelo Estado.
O líder do partido defende uma reconfiguração urgente da história nacional, que passe pela reescrita dos manuais escolares, revisão dos conteúdos museológicos e inclusão de novas figuras nas praças públicas. Entre essas figuras estão líderes comunitários, representantes locais e membros da oposição que, segundo a ND, participaram activamente na luta de libertação.
Para o partido, reconhecer heróis fora da Frelimo não constitui revisionismo histórico, mas um acto de justiça. “O Estado moçambicano deve um reconhecimento nacional àqueles cuja coragem, dignidade e determinação tornaram possível a liberdade”, lê-se no comunicado.
Na leitura da Nova Democracia, a celebração do 3 de Fevereiro só terá pleno significado quando a história nacional deixar de ser património partidário e passar a reflectir, de forma honesta e inclusiva, o sacrifício real de todos os moçambicanos que lutaram pela independência.



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