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- Álcool lidera causas de distúrbios, seguido de cannabis e drogas sintéticas
- Aumento de atendimentos situa-se na ordem dos 18%, avançou Filomena Chitsondzo
- Homens entre os 18 e os 35 anos representam a vasta maioria dos internamentos
O consumo de substâncias psicoativas está a pressionar cada vez mais o sistema nacional de saúde, num cenário que as autoridades classificam como preocupante. Dados apresentados durante a IV Reunião Nacional de Planificação Estratégica do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (GCPCD), realizada em Lichinga, província do Niassa, indicam que, em 2025, cerca de 39 mil pessoas foram atendidas nas unidades sanitárias com perturbações mentais e comportamentais associadas ao consumo de drogas e álcool. O número representa um salto significativo face aos 24 mil casos registados no período homólogo de 2024, numa altura em que Moçambique continua a ser tido como corredor estratégico do tráfico internacional.
Luísa Muhambe
A tendência de subida já vinha sendo notada desde o início do ano passado. Só no primeiro semestre de 2025 foram contabilizados 10.921 pacientes nestas condições, contra apenas 1.543 no mesmo período de 2024. A Directora-Geral do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga, Filomena Chitsondzo, reconheceu a gravidade do quadro e confirmou o crescimento dos atendimentos.
“Verificou-se o aumento do número de pacientes com perturbações mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias psicoactivas. Em 2025 foram atendidas cerca de 39 mil pessoas e, comparativamente a 2024, o número de atendimentos aumentou na ordem dos 18%”, declarou.
O número representa um aumento significativo face aos 24 mil casos registados em 2024. A directora-geral do GCPCD, Filomena Chitsondzo, afirmou que o crescimento dos atendimentos confirma a tendência de agravamento do fenómeno no país.
Os dados mostram que os centros urbanos continuam a concentrar o maior número de casos. A Cidade de Maputo lidera as estatísticas com 4.905 pacientes registados no primeiro semestre, seguida por Sofala (1.623), Manica (991), Nampula (921) e província de Maputo (914).
O perfil dos pacientes revela forte predominância masculina: 8.563 homens contra 2.358 mulheres até meados de 2025. A gravidade clínica é igualmente elevada, com pelo menos 6.381 pessoas a necessitarem de internamento hospitalar devido a complicações severas.
As autoridades sanitárias identificam o álcool como o principal responsável pelos distúrbios comportamentais registados, seguido do consumo combinado de drogas, da cannabis e de substâncias sintéticas. O tabaco continua também presente no quadro nacional de dependências.
A faixa etária mais atingida situa-se entre os 18 e os 35 anos, atingindo a camada mais jovem e activa da população. Entre as consequências apontadas estão surtos psicóticos, distúrbios graves de ansiedade, abandono escolar e desestruturação familiar. O uso prolongado de heroína e novas drogas sintéticas tem provocado complicações clínicas de difícil reversão.
Paralelamente, o Executivo apertou o controlo sobre bebidas alcoólicas de baixo custo e alto teor, muitas vezes vendidas em pequenas embalagens. A Autoridade Tributária de Moçambique e o Ministério da Indústria e Comércio reforçaram a exigência de selo fiscal e rotulagem adequada, enquanto unidades produtoras de bebidas conhecidas como “Xivotchongos” foram notificadas para ajustar as fórmulas ou encerrar.
No campo da segurança, o relatório aponta a apreensão de 950 quilogramas de drogas e a detenção de 294 pessoas ligadas ao tráfico.



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