Eni estuda implantação de terceira plataforma flutuante na bacia do Rovuma para expandir produção de gás

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A multinacional italiana Eni confirmou publicamente a avaliação da possibilidade de avançar com o desenvolvimento de uma terceira plataforma para a exploração de gás natural liquefeito na bacia do Rovuma, localizada na província de Cabo Delgado, região norte de Moçambique. A petrolífera já lidera as operações da plataforma Coral Sul na Área 4 e trabalha na implementação da unidade Coral Norte, cujo início de actividade está projectado para o ano de 2028.

Fontes ligadas à corporação apontam que o volume expressivo de reservas registado na região viabiliza a continuidade dos investimentos e abre caminho para novas frentes de exploração comercial. De acordo com a empresa, “neste contexto, a Eni está actualmente a avaliar a possibilidade de avançar com um terceiro projecto baseado na tecnologia FLNG (Floating Liquefied Natural Gas), cujo sucesso foi demonstrado pelo projecto Coral South FLNG”.

A consolidação destas infra-estruturas surge após o Presidente da República, Daniel Chapo, e o director executivo da Eni, Claudio Descalzi, terem selado em Maputo a Decisão Final de Investimento para a implementação do projecto Coral Norte. A iniciativa operacional é gerida pela empresa italiana em representação do consórcio Rovuma Mozambique Venture, que detém uma participação de 70% na concessão através da parceria com a ExxonMobil e a China National Petroleum Corporation.

A estrutura de capital do bloco de exploração fica concluída com os restantes 30% equitativamente distribuídos entre a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, a sul-coreana KOGAS e a Abu Dhabi National Oil Company, integrando cada uma delas uma quota de 10% no investimento global.

Com uma capacidade técnica estimada em 3,6 milhões de toneladas por ano, a entrada em funcionamento da segunda unidade flutuante permitirá duplicar o volume global de processamento de Moçambique para 7 milhões de toneladas anuais. Este acréscimo produtivo representa um marco estratégico que posicionará o País, como o terceiro maior produtor e exportador de GNL em África, reforçando o seu papel como um actor fundamental no mercado energético global. Os reflexos macroeconómicos para o erário público são estimados pelo Executivo moçambicano em cerca de 23 mil milhões de dólares ao longo das próximas três décadas, entre arrecadação fiscal, impostos e outras contribuições financeiras associadas à concessão petrolífera.

Para além do encaixe financeiro directo e do investimento inicial estimado em 7,2 mil milhões de dólares, o plano de desenvolvimento aprovado salvaguarda o abastecimento energético regional e o fomento do emprego local com a abertura de 1400 postos de trabalho directos destinados a cidadãos nacionais. A legislação em vigor garante que 25% do gás extraído seja obrigatoriamente canalizado para o mercado interno, somando-se a totalidade do condensado para projectos de geração eléctrica nacional.

O potencial destas reservas é referenciado internacionalmente por relatórios macroeconómicos, incluindo análises da consultora Deloitte que apontam que as vastas reservas de gás poderão fazer de Moçambique um dos dez maiores produtores mundiais, responsável por 20% da produção de África até 2040, acelerando o posicionamento do território como uma peça central na agenda da transição energética do continente.

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