Problemas de divisas ainda “sufocam” ambiente de negócios no sector privado

DESTAQUE ECONOMIA
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O Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, Álvaro Massingue, afirmou que os “constrangimentos” no acesso a divisas continuam a “sufocar” o ambiente de negócios no sector privado moçambicano, condicionando a capacidade de produção, importação e investimento das empresas.

Massingue falava durante a cerimónia de lançamento da Conferência Anual do Sector Privado (CASP) 2026, que decorrerá sob o lema “Produzir, Transformar e Competir, construindo assim uma economia forte e resiliente”.

Na ocasião, o dirigente empresarial descreveu o actual contexto económico como desafiante, marcado por pressões internas e externas, choques climáticos recorrentes, dificuldades no acesso a combustíveis e limitações estruturais no ambiente de negócios.

“Chegamos a este lançamento num contexto económico desafiante, marcado por pressões internas e externas, por choques climáticos recorrentes, por constrangimentos no acesso a divisas e combustíveis, e por limitações estruturais no ambiente de negócios”, afirmou.

Apesar das dificuldades, Massingue defendeu que o momento exige maior coordenação entre o Governo, sector privado e parceiros de desenvolvimento, transformando os desafios em oportunidades de crescimento económico e competitividade.

Segundo explicou, a 21.ª edição da CASP pretende colocar o foco no aumento da produção nacional, sobretudo na agricultura e agronegócio, como base para a industrialização e geração de valor acrescentado.

“Produzir mais e melhor, transformar essa produção em valor acrescentado através da industrialização e competir com eficiência nos mercados regionais e globais” são, segundo o presidente da CTA, os pilares da edição deste ano.

O responsável destacou ainda que a conferência será um espaço estratégico para mobilização de investimentos e fortalecimento de parcerias económicas, contando com mais de dois mil participantes presenciais, cinco mil participantes virtuais, cerca de 50 expositores e mais de 40 oradores.

Durante o evento, deverão igualmente ser apresentados projectos de investimento avaliados em mais de 1,9 mil milhões de dólares.

Por sua vez, a directora executiva da CTA, Teresa Muenda, reconheceu que a economia moçambicana iniciou 2026 sob forte pressão, após um desempenho negativo registado em 2025.

Segundo Muenda, os choques climáticos, a escassez de divisas e as mudanças no financiamento internacional afectaram significativamente a actividade económica e os investimentos.

“A situação da escassez de divisas condicionou as importações e influenciou os custos de produção e a produtividade, trazendo impacto para os investimentos”, afirmou.

A dirigente destacou igualmente que a redução e suspensão de projectos financiados pelos Estados Unidos, incluindo iniciativas ligadas à USAID, agravaram a pressão sobre a circulação de moeda estrangeira no país.

Além disso, os eventos climáticos extremos registados nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane e Sofala afectaram infra-estruturas, produção agrícola e cadeias logísticas.

Ainda assim, Teresa Muenda considera existir “uma luz verde no fundo do túnel”, apontando sinais de recuperação económica e o reforço do compromisso governamental com reformas destinadas à melhoria do ambiente de negócios e aumento da produtividade.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, prevê-se para 2026 um crescimento económico moderado na ordem de 3%.

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