Share this
- Como a insurgência se reinventou em Cabo Delgado
- Minas artesanais e “xibalo” alimentam a máquina do terrorismo em Cabo Delgado
- “Falta dinheiro, mantimentos e passaram a procurar novas formas de sobrevivência”, Aly Caetano
- Al Shabaabs reorganizam-se e adolescentes recrutados no início do conflito surgem agora como adultos na linha de frente
Mesmo quando as armas se calam, Cabo Delgado continua a mostrar o rosto de uma guerra em movimento. Ao longo da N380, entre Silva Macua, Ancuabe, Macomia e outros troços onde a circulação depende de escolta para alcançar-se destinos como Macomia, Muidumbe, até Mocimboa da Praia, o silêncio das aldeias abandonadas, das casas destruídas e das estradas vazias revela que a insegurança não desapareceu, apenas mudou de forma. Os Al Shabaabs, como são tratados pelos locais, já não dependem necessariamente da ocupação prolongada de territórios. Hoje, o grupo adaptou-se para células móveis, capazes de atravessar matas, rios, aldeias despovoadas e zonas mineiras, evitando confrontos directos e procurando fontes rápidas de financiamento. Uma das metodologias mais evidentes é a ocupação temporária de minas artesanais. Os insurgentes invadem áreas de garimpo, impõem medo, confiscam ouro, alimentos, combustível e ferramentas, e obrigam garimpeiros capturados a trabalhar sob ameaça. Depois abandonam o local e deslocam-se para outra zona, repetindo o ciclo. Tecnicamente, trata-se de uma guerra de baixa visibilidade, sustentada por mobilidade, coerção e exploração económica. Humanamente, é uma guerra que transforma civis em carregadores, garimpeiros em trabalhadores forçados e comunidades inteiras em testemunhas de um Estado ausente nas matas.
Nelson Mucandze
É sexta-feira. 01 de Maio. A nossa reportagem atravessa a vila-sede de Ancuabe rumo à aldeia de Namonhane, uma das poucas aldeias que nunca chegou a ser tomada pelos insurgentes. Nem os próprios habitantes conseguem explicar exactamente porquê. Talvez pelo isolamento ou por acaso.
No dia anterior (30 de Abril), um ataque contra uma estrutura ligada à Igreja Católica, a Paróquia de São Luís de Monfort, na aldeia de Meza, voltou a colocar Ancuabe no centro das atenções. Mas a violência naquela está longe de ser episódica ou desarticulada. Antes deste episódio, uma incursão do mesmo grupo já havia sido reportada no dia 29 de Abril, no distrito de Chiure, apenas um dia antes da investida em Meza. Nos últimos 30 dias, foi possível compilar pelo menos 15 incursões insurgentes em diferentes pontos da província, entre ataques directos, saques, ocupações temporárias e simples movimentações armadas, revelando um padrão operacional que sugere objectivos para além da mera demonstração de força.
Os Al Shabaabs estiveram na aldeia mineira de Ravia, no distrito de Meluco, no fim de Março (30 e 31), desapareceram durante algum tempo e regressaram entre os dias 20 e 26 de Abril para ocupar a mesma aldeia. Foi depois desta presença prolongada que seguiram em direcção à zona mineira de ouro de Muaja, no posto administrativo de Meza, distrito de Ancuabe, uma área conhecida pela actividade mineira artesanal e pela circulação informal de ouro. A sequência geográfica e temporal das incursões levanta a hipótese de que determinados ataques possam também estar associados à criação de corredores de mobilidade, controlo territorial temporário ou dispersão populacional em zonas de interesse económico.
Neste contexto, o ataque a igreja Católica em Meza ganha uma dimensão adicional. A desestabilização da população local, incluindo o abandono temporário de aldeias e redução da presença comunitária, pode acabar por criar condições favoráveis para circulação e exploração clandestina de recursos minerais, num cenário em que a presença do Estado continua limitada em vários pontos do interior de Cabo Delgado. Embora não existam elementos conclusivos que permitam afirmar uma ligação directa entre os ataques e interesses mineiros específicos, a coincidência entre movimentações insurgentes e áreas de exploração de ouro tornou-se cada vez mais recorrente ao longo dos últimos meses.
Já neste domingo (24), a incursão ocorreu na aldeia de Muanona, no posto administrativo de Meloco, distrito de Namuno, havendo relatos de duas mortes de civis. Ainda assim, de todos estes episódios, apenas dois ataques foram reivindicados pelo grupo através dos seus mecanismos de propaganda, é o caso dos ataques dos dias 17 e 18, na aldeia de Messanja, posto administrativo de Katapua, distrito de Chiure, nos quais os insurgentes alegam ter provocado 26 mortos num confronto com os Naparamas.
A diferença é que a maior parte destes episódios quase nunca ultrapassa as fronteiras invisíveis do medo que cobre Cabo Delgado. Ganham dimensão mediática apenas quando atingem distritos simbólicos como Palma ou Mocímboa da Praia. Enquanto isso, em Macomia, Meluco e Ancuabe, as incursões tornaram-se parte do quotidiano, vitimando quem se desloca para além das zonas seguras da vila e vai até interior da mata à procura do sustento.
Minas artesanais alimentam a máquina do terrorismo em Cabo Delgado

Paulo Mondlane, residente na aldeia de Nanhomane, em Ancuabe, saiu de casa numa manhã de Dezembro de 2025 apenas para cortar bambu. Como centenas de jovens nas zonas rurais de Cabo Delgado, sobrevive de pequenos trabalhos ligados à floresta. O objectivo era cortar bambu na mata, transportar o material de bicicleta até à aldeia e vender para garantir comida em casa. Mas, naquele dia, acabaria por testemunhar a ocupação móvel de minas artesanais para financiamento da guerra, um dos mecanismos mais discretos e estratégicos da insurgência em Cabo Delgado.
Depois de horas de trabalho, Paulo, nome incomum em Cabo Delgado, e dois amigos decidiram regressar. Um deles insistiu em não abandonar parte da carga de bambu, apesar do risco de permanecer demasiado tempo numa zona conhecida pela circulação de insurgentes. Minutos depois, ouviram vozes na floresta. Em seguida surgiram homens armados falando “Mwani”, língua predominante em distritos costeiros como Mocímboa da Praia, Palma e Quissanga.
Não houve disparos. Apenas ordens curtas. “Venham todos aqui.”
Os jovens obedeceram imediatamente. Os insurgentes perguntaram de onde vinham e porque cortavam bambu. Depois anunciaram que teriam de os acompanhar mata adentro. Foi nesse momento que Paulo percebeu que o grupo conhecia profundamente os corredores florestais entre Ancuabe, Chiúre e as zonas mineiras clandestinas da comunidade.
Os três deixaram imediatamente de ser civis. Tornaram-se carregadores logísticos. Receberam sacos de mantimentos, roupa, utensílios e outras cargas pesadas que os insurgentes transportavam durante as deslocações. A marcha começou ao final da tarde e prolongou-se durante horas. O grupo movia-se com disciplina militar, reconhecimento avançado e hierarquia clara. O comandante seguia separado, vestido com uma “Jilbab”, roupa associada ao universo islâmico, símbolo simultâneo de autoridade religiosa e liderança operacional.
Por volta da meia-noite, chegaram próximo do rio Nculo, em Ancuabe. Interromperam a marcha para rezar colectivamente antes de prosseguir. Para Paulo, aquele detalhe revelou que não se tratava apenas de homens armados dispersos nas matas, mas de estruturas móveis organizadas, capazes de combinar disciplina religiosa, controlo psicológico e sobrevivência operacional. O destino era Napala, uma zona conhecida pelas minas artesanais de ouro.
Ao aproximarem-se da área mineira, os insurgentes reorganizaram-se. Cerca de 30 homens avançaram em direcção à mina. Outros ficaram na retaguarda a vigiar os reféns. Enquanto isso, garimpeiros civis continuavam a trabalhar normalmente durante a noite, escavando e lavando areia em busca de ouro artesanal. Pouco depois começaram os disparos.
Aqueles disparos não pareciam para executar indiscriminadamente os trabalhadores, mas provocar pânico suficiente para assumir controlo da exploração. Ainda assim, houve feridos. Uma mulher foi atingida enquanto tentava fugir. Foi ali que Paulo compreendeu como os insurgentes passaram a financiar parte importante das suas operações.
Invadem minas activas, confiscam ouro, combustível, alimentos e ferramentas
As minas artesanais transformaram-se numa economia paralela da guerra. Os grupos armados já não precisam ocupar grandes vilas durante longos períodos. Operam através de incursões rápidas e móveis. Invadem minas activas, confiscam ouro, combustível, alimentos e ferramentas. Em seguida seleccionam garimpeiros específicos e obrigam-nos a trabalhar sob ameaça de morte. Depois deslocam-se rapidamente para outra zona, reduzindo a exposição militar.
“Esses garimpeiros tornam-se trabalhadores deles. Não porque querem, mas porque são obrigados”, explica Paulo, num relato complementado por Issufo Adelino, que também já foi vítima de rapto, mas veio a ser liberto 20 horas depois.
O relato de Paulo, que viria a ser liberto dois dias depois, revela uma insurgência adaptada às novas condições do conflito, que é diferente de ocupações assistidas quando faziam cobrança nas portagens improvisadas para extorquir ou nos raptos para resgate. Menos dependente da ocupação territorial, uma capacidade que perderam desde 2021, com a intensificação da melhoria da resposta, o método sugere uma estratégia mais focada em mobilidade, coerção e exploração económica.
O regresso mais difícil de Cabo Delgado não é às aldeias, é à vida

Se a história de Paulo Mondlane ajuda a compreender como os grupos insurgentes transformaram as minas artesanais numa fonte móvel de financiamento da guerra, Aly Caetano revela a batalha silenciosa pela reconstrução social de uma geração marcada pela violência.
Aly trabalha na Fundação Azul, organização que actua junto de jovens afectados pelo terrorismo em Cabo Delgado. No terreno, entre comunidades destruídas, deslocados e jovens regressados das matas, aprendeu que o conflito já não pode ser explicado apenas em termos militares. Há uma guerra invisível que continua dentro das comunidades, alimentada por trauma, exclusão social e ausência de perspectivas.
“A intervenção não é apenas económica”, explica. “Também é socio-política.”
Nas zonas mais afectadas, a Fundação Azul promove formações em direitos humanos, liderança, associativismo e participação comunitária. O objectivo é impedir que o vazio deixado pela guerra continue a ser ocupado pelo medo, pela marginalização ou por novas formas de radicalização.
“O desafio é enorme”, sentencie. Em distritos como Palma e Mocímboa da Praia, entre 80 a 90 por cento da população abandonou temporariamente as suas casas durante os períodos mais violentos da insurgência. Muitos regressam agora às aldeias destruídas, tentando reconstruir vidas num ambiente ainda marcado pela insegurança.
Mas existe outro o grupo de jovens que passaram pelas matas de insurgentes, este é mais difícil de identificar. Alguns foram recrutados à força. Outros aderiram voluntariamente. Há ainda crianças que nasceram dentro das bases insurgentes e cresceram sem conhecer outra realidade além da guerra.
“Temos crianças que nasceram no grupo e hoje já têm sete, oito ou nove anos. Cresceram a conhecer arma, fuga, medo e violência como algo normal”, alerta Aly.
É uma dimensão pouco discutida publicamente, mas considerada crítica para o futuro da província. Nas comunidades, os líderes locais geralmente sabem quem saiu e quem regressou das matas. O problema é o estigma. “Muitas dessas pessoas têm receio de se expor. E as próprias comunidades também não sabem como lidar com elas.”
Sem programas públicos robustos de reintegração social, muitos regressam carregando traumas profundos, comportamentos alterados e dificuldade de adaptação à vida comunitária. A tensão raramente explode em violência aberta, mas permanece presente no quotidiano.
Enquanto isso, os próprios grupos dos Al Shabaabs continuam a adaptar-se operacionalmente. Segundo Aly Caetano, os ataques tornaram-se mais dispersos, rápidos e imprevisíveis, revelando estruturas mais fragmentadas, mas ainda activas. A circulação rodoviária entre Mueda, Palma e Mocímboa da Praia melhorou comparativamente aos anos mais críticos da guerra, mas a insegurança persiste nas matas e nas zonas periféricas. Há relatos constantes de sequestros, extorsões e cobrança de resgates.
“Na minha visão, existem sinais claros de dificuldades logísticas dentro dos grupos”, explica. “Falta dinheiro, faltam mantimentos e passaram a procurar novas formas de sobrevivência.”
Essa transformação aproxima-se do modelo testemunhado por Paulo Mondlane nas minas artesanais. Os insurgentes estão menos focados em grandes ocupações territoriais e mais concentrados em operações móveis de sobrevivência económica.
Ainda assim, Aly evita discursos triunfalistas. “Durante anos anunciaram-se vitórias, eliminação de líderes e controlo da situação. Mas os ataques continuaram.” Outro elemento preocupante é a renovação constante das lideranças insurgentes. Os rostos mudam, os grupos reorganizam-se e adolescentes recrutados no início do conflito surgem agora como adultos integrados nas frentes de combate.
Para quem trabalha diariamente com jovens afectados pela guerra, a conclusão é que a resposta militar continua necessária, mas será insuficiente sem inclusão económica e reconstrução social. “Reconstruir pontes e escolas é possível”, diz Aly Caetano. “Reconstruir as pessoas é o mais difícil.”
O sheik que a comunidade expulsou e a guerra que voltou pelas matas

Enquanto o presente revela readaptação do fenómeno, há quem tem na memória um nítido retrato de como tudo começou. O testemunho de Ambasse Chandi Andurabi ajuda a compreender que a insurgência em Cabo Delgado não entrou apenas pelas armas. Em muitos casos, passou primeiro pelas madrassas, pelas praias isoladas e pelos discursos silenciosos de radicalização.
Natural de Pequeue, no posto administrativo de Quiterajo, distrito de Macomia, Ambasse vive hoje deslocado em Pemba com a esposa, três filhas e netos, num agregado de dez pessoas dependente da solidariedade de terceiros. Entre os deslocados que o acompanham há famílias de Quiterajo, Pangani e outras aldeias destruídas pela guerra.
“Era uma guerra muito violenta. As pessoas eram decapitadas como se fosse cabrito”, recorda.
O terror começou cedo em localidades como Naunde. Quando Ambasse chegou ao local pela primeira vez, encontrou aldeias destruídas e comunidades inteiras em fuga. Mais tarde, Quiterajo mergulhou também no caos. As famílias refugiaram-se na sede administrativa, mas os insurgentes acabariam por chegar até ali. Muitos escaparam pelo mar em embarcações precárias. Alguns morreram durante a travessia.
Em Mocímboa da Praia, para onde fugiram milhares de pessoas, o ambiente já era de guerra aberta. Ainda assim, Ambasse recorda a capacidade de mobilidade dos insurgentes. “Eles vinham, atacavam e fugiam.”
Dias depois regressavam novamente. Até que ocuparam completamente a vila. Mas é ao falar sobre a origem local de alguns combatentes que o relato ganha outra profundidade.
Ambasse participou directamente numa campanha comunitária para expulsar um sheik chamado Assumane, cuja pregação numa madrassa começou a levantar suspeitas em Quiterajo. As lições eram consideradas radicais e propagandísticas. O religioso acabou afastado pela comunidade, mas mudou-se depois para Pequeue, onde continuou a ensinar antes de ser novamente expulso.
Foi nesse ambiente que vários jovens começaram a desaparecer silenciosamente. Um deles era Sinalo Abudo, jovem da própria aldeia de Ambasse. Inicialmente fazia deslocações frequentes para Mocímboa da Praia. Mais tarde desapareceu nas matas.
“A última vez que foi visto foi em 2022”, relata. Segundo Ambasse, Sinalo tornou-se líder de um subgrupo insurgente em Pequeue. O grupo treinava numa praia baptizada de “Madina”, termo árabe para cidade, onde aprendiam correntes radicais de madrassa e técnicas operativas.
O testemunho revela como a insurgência foi construindo redes locais muito antes dos grandes ataques armados. Jovens de origem Mwani misturaram-se depois com macuas de Nacala, makondes de Muidumbe e combatentes de diferentes origens, tornando os grupos mais difíceis de identificar.
Hoje, ninguém regressou a Quiterajo. As aldeias permanecem vazias. E, mesmo sem grandes confrontos visíveis, as comunidades continuam a viver entre o medo das matas e a incerteza sobre quando Cabo Delgado voltará realmente a ser casa.
Palma tenta reconstruir a normalidade enquanto a insurgência muda de rosto

Em Palma, no extremo norte de Cabo Delgado, a guerra já não se apresenta com a mesma intensidade de 2021, quando milhares de pessoas fugiam entre disparos, corpos abandonados e aldeias incendiadas.
“Em termos de segurança, Palma está segura, sim, comparado com os anos anteriores”, afirma Eurico Inselemo, líder comunitário do distrito. A diferença em relação aos períodos mais violentos é visível, sobretudo no eixo que liga Palma, Afungi e Mocímboa da Praia, actualmente considerado o corredor mais controlado da região e fortemente assegurado pela força ruandesa.
Hoje, a circulação voltou a ser possível. Mas não completamente livre. “Viaja-se, mas com cautela”, resume.
As ligações para Mueda tornaram-se relativamente mais regulares. Já viagens para Macomia continuam frequentemente dependentes de escolta militar. Mesmo rotas alternativas, passando por Montepuez, ainda inspiram receio. Ataques recentes em zonas como Nairoto reforçam a percepção de que os grupos armados permanecem activos nas matas e continuam capazes de surpreender.
Mas, segundo Eurico Inselemo, a principal transformação da insurgência está no método de sobrevivência.
“O al-shabaab deixou de apostar só em ataques. Agora também faz cobrança.”
A extorsão tornou-se uma nova economia da guerra. Quando encontram viaturas, pescadores ou civis isolados, os insurgentes obrigam as vítimas a telefonar para familiares exigindo dinheiro. Quem não consegue pagar permanece em risco. Muitas vezes os casos nem chegam às autoridades por medo ou falta de confiança.
“Às vezes os familiares também não têm dinheiro. E a pessoa fica ali”, relata o líder comunitário.
É uma violência menos visível do que os grandes massacres dos primeiros anos do conflito, mas profundamente corrosiva para as comunidades. Nas ilhas e zonas costeiras, o cenário é ainda mais frágil. Palma possui muitas ilhas utilizadas historicamente por pescadores. A ausência de infra-estruturas, fiscalização permanente e presença efectiva do Estado transformou várias dessas áreas em corredores vulneráveis para movimentações do grupo.
Entre elas, Quifupi tornou-se símbolo desse medo silencioso. “É a única ilha que até então mete medo”, admite Eurico. Pescadores continuam a deslocar-se até lá porque dependem do mar para sobreviver. Mas fazem-no avaliando constantemente o risco de serem capturados ou confundidos com colaboradores insurgentes. Há relatos recorrentes de movimentações suspeitas e presença de homens armados.
Este é “outro” Palma, porque existe “outro”, mais seguro, em Afungi, que acolhe o projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, considerado um dos maiores investimentos privados da história de África. Avaliado inicialmente em cerca de 20 mil milhões de dólares, o empreendimento prevê a exploração de gás natural descoberto na Bacia do Rovuma e a construção de unidades de liquefação com capacidade para exportação global de gás natural liquefeito.
As actividades foram suspensas em 2021, após os ataques que levaram a empresa a declarar “force majeure”. Depois de mais de quatro anos de paralisação, o consórcio anunciou oficialmente a retoma integral das operações em Janeiro de 2026, após decisão tomada em Novembro de 2025 para levantar a suspensão. A previsão actual aponta para o início da produção em 2029.



Facebook Comments