Antigo ministro dos transportes defende especialização dos jornalistas para fiscalizar o Governo

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O antigo ministro dos Transportes e Comunicações, Gabriel Muthisse, defendeu esta quarta-feira, em Maputo, a necessidade de uma maior especialização dos jornalistas moçambicanos para fortalecer a capacidade da imprensa de fiscalizar e exigir prestação de contas dos órgãos do Estado.

Falando durante a Conferência Nacional de Integridade de Moçambique, promovida pelo Centro de Integridade Pública (CIP), Muthisse considerou que a transparência governativa não depende apenas da existência de leis que garantam o acesso à informação, mas também da capacidade dos profissionais da comunicação social de compreenderem matérias complexas e questionarem o Executivo com profundidade.

Segundo acrescentou, Moçambique possui um conjunto de instrumentos legais que sustentam a transparência, incluindo a obrigatoriedade de publicação dos actos do Estado e a legislação sobre o direito à informação. Contudo, entende que ainda persistem desafios na fiscalização do poder público.

“Parece urgente a necessidade de reforçar a especialização dos jornalistas em diversas matérias, sejam económicas, fiscais, de funcionamento das instituições, direitos fundamentais e outras, para, com mais acutilância, interpelar o Executivo nas mais diversas matérias”, afirmou.

Para Muthisse, existe uma fragilidade na “capacidade de questionamento da imprensa” em relação aos órgãos governamentais, situação que, segundo explicou, resulta também das dificuldades enfrentadas pelas empresas de comunicação social na retenção de profissionais qualificados.

O antigo ministro observou que muitos jornalistas acabam por abandonar as redações para ingressar em organizações não-governamentais ou no sector privado, atraídos por melhores condições de trabalho e remuneração. Esta realidade, acrescentou, enfraquece o papel dos media na promoção do acesso à informação e da transparência governativa.

Muthisse apontou igualmente a existência de uma cultura de secretismo enraizada nas instituições públicas, que, em sua opinião, continua a limitar a circulação de informação de interesse público.

“Muitas das atitudes de recusa em ceder informação não se devem apenas à prepotência ou à arrogância. Há também uma cultura de Estado de secretismo que vem de muito tempo e que urge abordar com acções de formação e sensibilização”, concluiu.

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