Moçambique reforça Acções Antecipadas em preparação para um El Niño recorde, com apoio da FAO e do WFP

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Com as previsões a apontarem para um evento El Niño recorde durante a época 2026/27, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Mundial para a Alimentação (WFP/ PMA) reuniram parceiros para discutir acções antecipadas destinadas a proteger comunidades vulneráveis antes que os impactos climáticos do El Nino atinjam o seu pico.

Este El Niño pode provocar condições de seca no sul e centro de Moçambique, enquanto no norte são previstas cheias, com impacto potencial na produção agrícola, criação de gado, na disponibilidade de água e nos meios de subsistência. As famílias mais vulneráveis poderão ser empurradas para uma situação de fome aguda.

Durante a sessão conjunta de informação realizada em Maputo, parceiros humanitários e de desenvolvimento discutiram como acções antecipadas e coordenadas podem apoiar o Governo de Moçambique na protecção das comunidades mais vulneráveis, da produção alimentar e dos meios de subsistência antes da época agrícola de 2026/27.

A discussão estabeleceu a ligação entre o recém lançado Apelo Global Conjunto da FAO e WFP para Acções Antecipadas face ao El Niño e o Quadro Nacional de Acções Antecipadas de Moçambique, destacando os esforços conjuntos para apoiar as instituições nacionais a transicionarem de uma resposta aos choques climáticos depois que ocorrem para uma actuação precoce, quando as previsões e os gatilhos acordados indicam o risco e permitem medidas preventivas eficazes.

Pela primeira vez, a FAO e o WFP lançam um apelo conjunto e prospectivo para acções antecipadas em escala. Na África Austral, são necessários 54 milhões de dólares para assistir 2,3 milhões de pessoas em Madagáscar, Malawi, Moçambique e Zimbabué. Até hoje, cerca de 42 milhões de dólares continuam por financiar.

Moçambique está bem posicionado para actuar cedo através do seu Quadro Nacional de Acções Antecipadas, já operacional, que permite a activação e implementação atempadas de medidas previamente acordadas com base em previsões e gatilhos de risco.

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) confirmou, em Julho de 2026, que os gatilhos de acções antecipadas foram atingidos em dez distritos. No âmbito do quadro nacional, as medidas prioritárias incluem a disseminação de aviso prévio, o fornecimento de sementes tolerantes à seca e outros insumos agrícolas, transferências monetárias antecipadas às comunidades em risco, apoio à criação de gado, e investimentos na melhoria da captação de água.

O Quadro de Acções Antecipadas de Moçambique traduz previsões climáticas em medidas coordenadas e previamente acordadas, lideradas pelas instituições nacionais. Embora a previsão global do El Niño reforce a preparação, as intervenções ao nível do país são activadas com base em previsões localizadas, gatilhos acordados e processos nacionais de tomada de decisão operacional.

“O período antes da principal época de sementeira é uma janela crítica para agir. Com financiamento atempado e flexível, podemos ajudar os agricultores a terem acesso a sementes e insumos adequados, proteger o gado e os recursos hídricos, e manter a produção alimentar antes que os défices de precipitação causem perdas irreversíveis”, afirmou José Luis Fernández, Representante da FAO em Moçambique. “Agir agora custará menos e protegerá muito mais do que responder depois de as culturas falharem e os activos produtivos se perderem.”

“Agir antes de um desastre acontecer é mais eficaz, mais digno e mais eficiente em termos de custos do que responder depois de as pessoas perderem os seus bens e meios de subsistência”, afirmou Claire Conan, Representante do WFP em Moçambique. “O WFP tem apoiado o Governo no desenvolvimento do sistema de Acções Antecipadas que traduz previsões em acções precoces; com recursos, podemos prestar assistência antes do pico das secas e da ocorrência de cheias, ajudando as famílias mais vulneráveis.”

A FAO e o WFP sublinharam a importância de agir de forma coordenada antes que os choques climáticos se transformem em crises humanitárias. Enquanto a FAO apoia os agricultores e os sistemas de produção alimentar, o WFP ajuda os agregados familiares mais vulneráveis a proteger a sua segurança alimentar.

As agências salientaram que é necessário financiamento flexível agora para activar acções precoces, observando que cada dólar investido em acção antecipada pode gerar até sete dólares na redução de perdas humanitárias.

Em apoio ao Governo de Moçambique, a FAO e o WFP apelaram a investimentos atempados nos sistemas nacionais de acção antecipada para ajudar as comunidades a prepararem-se para os impactos previstos do El Niño.

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