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A empresa italiana Saipem afastou as preocupações de que uma eventual adjudicação do contrato de Engenharia, Aprovisionamento e Construção (EPC) do projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, possa resultar numa posição dominante na indústria do gás natural em Moçambique ou limitar a participação das empresas nacionais na cadeia de fornecimento.
Reginaldo Tchambule
Num esclarecimento enviado ao Evidências, a multinacional sustenta que existem informações incorrectas a circular sobre o seu envolvimento nos grandes projectos de gás do país e faz questão de separar a sua actuação dos contratos atribuídos a outros consórcios internacionais.
Segundo a empresa, é incorrecto afirmar que concluiu o projecto Coral Sul FLNG ou que se encontra em posição de liderar o futuro Coral Norte FLNG. A Saipem esclarece que ambos os contratos foram adjudicados a empresas francesas, norte-americanas, japonesas e sul-coreanas, não sendo ela a detentora dessas empreitadas.
A empresa considera, por isso, que qualquer análise sobre uma eventual concentração de contratos deve partir de informação factual sobre os operadores efectivamente responsáveis por cada projecto.
Conteúdo local “não depende da empresa EPC”
A Saipem também rejeita a ideia de que a eventual atribuição de novos contratos possa prejudicar as empresas moçambicanas.
Segundo a companhia, as oportunidades de negócio para fornecedores nacionais não são determinadas pela empresa de engenharia seleccionada para executar as obras, mas sim pelos requisitos de conteúdo local definidos pelos operadores dos projectos e pelas autoridades moçambicanas.
A multinacional afirma que, em todos os países onde opera, tem como política promover o desenvolvimento de competências locais, incentivar a transferência de conhecimento técnico e integrar empresas nacionais na cadeia de fornecimento, contribuindo para o fortalecimento do tecido empresarial dos países anfitriões.
Na sua perspectiva, o envolvimento do sector privado local resulta da aplicação das políticas públicas de conteúdo local e não da nacionalidade ou identidade da empresa contratada para executar as infra-estruturas.
Outro aspecto destacado pela Saipem diz respeito à sua situação financeira. A empresa reconhece que enfrentou dificuldades em 2021, período marcado por uma profunda reestruturação financeira e operacional, mas considera que essa referência, quando apresentada isoladamente, transmite uma percepção desactualizada da sua realidade.
Segundo a companhia, os últimos anos foram marcados por um processo de recuperação que permitiu reforçar a sua capacidade industrial, melhorar os indicadores financeiros e consolidar a sua posição entre os principais prestadores mundiais de serviços para a indústria petrolífera.
A multinacional sustenta que actualmente apresenta resultados económicos e financeiros sólidos, pelo que entende que qualquer avaliação da sua capacidade deve considerar também essa evolução.
O esclarecimento surge numa altura em que o mercado internacional acompanha com expectativa a decisão sobre o futuro contrato EPC do projecto Rovuma LNG, um dos maiores investimentos previstos para a Bacia do Rovuma.
Embora a ExxonMobil ainda não tenha anunciado oficialmente a empresa que ficará responsável pela execução das obras, a eventual escolha da Saipem continua a alimentar o debate entre especialistas sobre os modelos de contratação, concorrência e conteúdo local nos megaprojectos de gás em Moçambique.
Enquanto aguarda a decisão final, a empresa italiana faz questão de sublinhar que a sua actuação assenta na promoção da capacidade industrial local, no cumprimento das regras dos países onde opera e na solidez financeira alcançada após a reestruturação iniciada há quatro anos.



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