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A falta de dados precisos e concreteza na avaliação de riscos está a limitar a actuação das seguradoras moçambicanas e a bloquear o acesso das empresas ao financiamento bancário. O alerta foi lançado por Valter Mabasso, representante da Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), durante a sua intervenção no painel sobre recursos naturais e bancabilidade do fórum BFSI Mozambique 2026, promovido para debater os desafios da indústria financeira e seguradora no país.
O representante da seguradora pública explicou que a opacidade na informação obriga o sector a recorrer a estimativas em vez de factos concretos, o que reduz substancialmente a percentagem de risco que as companhias estão dispostas a assumir.
Segundo Mabasso, “quando as seguradoras não têm conhecimento suficiente sobre um determinado risco, elas assumem uma parcela muito reduzida do mesmo”, acrescentando que esta limitação analítica “acaba por dificultar a viabilização dos próprios investimentos”.
Esta fragilidade na medição dos riscos gera um efeito dominó que atinge o sector bancário e paralisa a concessão de crédito na economia real. Mabasso enfatizou que a ausência de coberturas sólidas trava a injecção de capital por parte dos bancos
“A banca não vai financiar uma determinada actividade ou um activo que não está segurado, porque existem riscos de perdas que acabam por afectar toda a economia,” alertou.
O cenário agrava-se no caso dos mega-projectos ligados aos recursos naturais, onde os volumes de capital exigidos ultrapassam largamente a capacidade financeira do mercado segurador local. Referindo-se aos grandes empreendimentos extractivos e de infra-estruturas, o responsável sustentou que “quando se fala de recursos naturais, fala-se de grandes investimentos, que vêm com grandes riscos”, rematando que são riscos que envolvem capitais muito elevados para os quais as nossas seguradoras não têm condições de assumir.
Apesar destas barreiras estruturais e de escala, Valter Mabasso reforçou que a consolidação de mecanismos transparentes de avaliação é vital para restaurar a cadeia de confiança no mercado. O representante concluiu sublinhando que o seguro continua a ser a ferramenta central para garantir os níveis de confiança necessários para uma bancabilização da actividade, acesso ao crédito e uma dinamização da economia, desde que o sector consiga transitar das estimativas empíricas para a protecção baseada em dados factuais.



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