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O director executivo do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, defendeu que Moçambique não poderá alcançar uma verdadeira reconciliação nacional sem reconhecer todas as pessoas que perderam a vida nos diferentes episódios de violência política. Para o activista, a construção da paz exige que o país enfrente o seu passado, homenageie as vítimas e transforme a memória dos acontecimentos num compromisso colectivo de não repetição.
Nuvunga falava durante a Conferência sobre Arquitectura de Paz em Moçambique, onde destacou que o processo de construção da paz não deve ficar exclusivamente nas mãos dos actores políticos, mas envolver activamente a sociedade civil, as comunidades, os jovens, as mulheres e cidadãos de todas as províncias.
Na sua intervenção, recordou a histórica reunião multipartidária realizada em Outubro de 1993, um ano após a assinatura do Acordo Geral de Paz, quando organizações da sociedade civil reivindicaram participação na definição das regras eleitorais. Segundo explicou, na altura a representação era limitada e dominada por homens provenientes de Maputo, realidade que contrasta com a diversidade de participantes presentes na conferência.
“Os políticos assinam os acordos de paz, mas somos nós, a sociedade, que constituímos a infraestrutura social da paz”, afirmou, sublinhando que cabe aos cidadãos apropriarem-se dos processos de reconciliação e contribuírem para a construção de soluções duradouras.
O activista considerou igualmente que as violentas manifestações pós-eleitorais demonstraram a necessidade de uma reflexão nacional sobre as causas profundas da crise.
“Precisamos de perguntar como chegámos até aqui e, sobretudo, como vamos sair daqui”, afirmou, acrescentando que, apesar das críticas dirigidas ao actual diálogo inclusivo, o processo permitiu substituir a violência nas ruas por um espaço de conversa entre diferentes actores da sociedade.
Para Nuvunga, esse diálogo representa uma oportunidade que deve ser aproveitada para produzir ideias capazes de fortalecer a paz e renovar a democracia moçambicana, reconhecendo, ao mesmo tempo, que o país enfrenta sinais de desgaste após quase três décadas de experiência democrática.
O director do CDD defendeu que a reconciliação só será possível mediante o reconhecimento público das vítimas dos confrontos.
“Não há reconciliação se não reconhecermos aqueles que tombaram. Mesmo que aqueles que tombaram sejam aqueles de quem nós não gostamos, é preciso reconhecer que também perderam a vida neste processo”, afirmou.
Como forma de preservar essa memória, propôs que cada comunidade onde ocorreram mortes relacionadas com manifestações ou conflitos passe a identificar esses locais através de pequenas placas memoriais, indicando o nome das vítimas e recordando que ali perderam a vida durante o exercício dos seus direitos.
Segundo explicou, esse gesto permitiria transformar a dor colectiva numa memória de paz e num compromisso para evitar que tragédias semelhantes voltem a acontecer.
Nuvunga recorreu ainda a uma metáfora popular para defender que o país precisa enfrentar os seus problemas sem os esconder. Comparou o processo de reconciliação ao tratamento de uma ferida que apenas cicatriza quando é aberta e limpa, afirmando que adiar o enfrentamento das causas da violência apenas prolonga o sofrimento colectivo.
O activista concluiu apelando para que a conferência seja encarada não apenas como um encontro de debate, mas como um verdadeiro espaço de cocriação de soluções, capaz de reunir conhecimento, experiências nacionais e internacionais e propostas concretas para consolidar uma paz sustentável em Moçambique.



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