FDEL dá novo alento a jovens da província de Maputo

DESTAQUE ECONOMIA SOCIEDADE
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  • Uma janela de esperança perante crise de emprego
  • Mais de 42 milhões de meticais financiaram 713 projectos, mas procura supera capacidade
  • Juventude lidera procura por financiamento produtivo e iniciativas já geram renda e empregos
  • Há beneficiários já a cumprirem obrigações de reembolso que outros possam se beneficiar

 

Antes desesperançados por causa do panorama sombrio criado pelos elevados níveis de desemprego que assolam o país, jovens beneficiários do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), na província de Maputo, já encaram o presente e o futuro com optimismo. Com apoio financeiro para transformar pequenas ideias em actividades geradoras de rendimento, muitos encontraram no fundo uma alternativa à escassez de oportunidades no mercado formal de trabalho, transformaram-se em pequenos empreendedores que estão a mudar a dinâmica das suas comunidades e tornaram-se, eles próprios, empregadores. As autoridades, por seu turno, destacam o comportamento dos beneficiários que já iniciaram o cumprimento das obrigações de reembolso do valor para que mais moçambicanos possam ser abrangidos futuramente.

 Evidências

Com uma dotação, em 2025, de pouco mais de 42 milhões de meticais, distribuídos por sete distritos e seis municípios daquele ponto do sul de Moçambique, o FDEL criou dezenas de empregos, em 713 projectos aprovados nas áreas de agro-pecuária, comércio, serviços, entre outras.

Ao todo, foram submetidas 42.080 iniciativas, número que expõe a dimensão da procura por financiamento produtivo na província. A juventude surge como um dos principais grupos interessados, com milhares de jovens a procurarem no FDEL uma porta de entrada para o empreendedorismo e para a autonomia financeira.

Os dados oficiais indicam que 13.355 candidaturas foram apresentadas por jovens, correspondendo a 31,26% do total. A forte participação deste segmento da população é interpretada como um sinal da pressão que o desemprego e a insuficiência de oportunidades de geração de renda exercem sobre a juventude, mas também como uma demonstração da disposição dos jovens para criar alternativas através de iniciativas económicas próprias.

“Estes dados revelam o nível de procura por financiamento produtivo por parte da população, com destaque para a juventude [13.355 jovens, número correspondente a 31,26% de candidaturas], visando enfrentar os desafios da empregabilidade, fontes de geração de renda e participação em acções de desenvolvimento económico local na província”, refere-se no balanço.

Embora ainda seja cedo para um balanço mais exaustivo, jovens e pequenos empreendedores dos municípios de Boane e Matola e dos distritos da Manhiça e Marracuene relatam resultados positivos após receberem financiamento do FDEL. Os recursos permitiram iniciar ou ampliar actividades em áreas como avicultura, agricultura, restauração, salão de beleza, serralharia, lavagem de viaturas e comércio, gerando não só para si postos de trabalho, mas também para jovens da comunidade.

 “Quero expandir o meu negócio da venda de pintainhos”

 Violeta Muzuane, do Município de Boane, que conta com 33 bairros, é um dos exemplos do impacto do FDEL nas comunidades beneficiárias. Não esconde a satisfação com o negócio de criação e venda de “pintainhos” e frangos que conseguiu iniciar com o financiamento, no valor de 50 mil meticais, recebidos do FDEL.

Muzuane arrancou com 100 pequenas aves, mas garante que, com os resultados que está a obter, vai poder fazer crescer a actividade.

“Quero aumentar o meu negócio, para ajudar outros irmãos que não conseguiram o financiamento do projecto FDEL, quero expandir o negócio”, enfatiza.

Está ciente de que deve reembolsar o dinheiro, para que mais interessados se beneficiem do financiamento. “Já estou a ver os resultados, porque tenho frangos à venda”, destaca.

 “Sonho em ampliar a área de produção agrícola” – Nilza Mahomede

Num campo agrícola exuberantemente verdejante, encontramos Anilza Mahomede que, com 169 mil meticais que angariou do FDEL, em Dezembro de 2025, apostou na produção de milho e pepino, mas só começou, por enquanto, com a primeira cultura, porque a escassez de semente impediu o cultivo da segunda.

“O projecto era a produção de milho e pepino, mas só conseguimos arrancar com milho, porque há escassez de semente de pepino. Pretendemos ampliar a área de produção”, afirma Mahomede, assegurando que depois de ultrapassados os primeiros desafios, as perspectivas são animadoras.

Aponta a falta de combustível que recentemente assolou o país, como um nó de estrangulamento, porque há actividades como rega e lavoura que não se podem praticar sem aquele insumo.

“Aumentei mais um hectare na área de cultivo” – Armando Zimba

Armando Zimba recebeu 79 mil meticais e aumentou mais um hectare na sua área de cultivo de milho e pepino, não disfarçando o semblante feliz com o apoio do Governo.

“O valor de 79 mil meticais ajudou-me muito, antes de ter esse dinheiro, não conseguia regar nem adubar, mas agora estou feliz”, narra Zimba.

Já vendeu toda a produção de milho e garante que vai reembolsar o financiamento que recebeu.

“Não tenho stress, já vendi todo o produto e vou devolver o empréstimo”, afiança.

“Comprei máquinas e estou a reembolsar o financiamento”

Antes do FDEL, Albertina Manjate já preparava e vendia refeições numa garagem, mas, com a ajuda do Governo, comprou máquinas que tornaram o seu ofício mais rápido e prático.

“Contratei uma jovem para trabalhar comigo e já comecei a devolver o dinheiro do empréstimo”, declara.

Dos 60 mil meticais que recebeu do FDEL, Manjate já consegue retorno que permite o pagamento de 4.812 meticais por mês ao Município de Boane, entidade responsável pela gestão do fundo naquela zona da província de Maputo.

“Está a valer a pena, estou satisfeita”, frisou.

“Melhorei o salão e empreguei dois jovens” – Pedro Maronga, Ponta de Ouro

Pedro Maronga, residente na localidade da Ponta de Ouro, sempre gostou de ver os outros bem  arranjados, mas não tinha meios adequados para possuir um salão mais decente, até que chegou o              FDEL.

Concorreu com uma proposta de 71.400 meticais para apetrechar o seu salão e, com esse valor, conseguiu comprar novas máquinas e produtos de beleza.

Com o rendimento da actividade que desenvolve, Pedro Maronga está a lograr devolver gradualmente o empréstimo.

Maronga também contratou dois trabalhadores, fazendo jus ao objectivo de criação de emprego do FDEL.

“Quero desenvolver a agro-pecuária na Manhiça” – Fissimane Ismael, técnico-agrário

Com formação como técnico-agrário, Fissimane Ismael diz que com os 30 mil meticais que recebeu para produzir milho, feijão, abobara e beterraba, bem como criar gado bovino e caprino, vai poder traduzir na prática as lições do curso que tirou.

“Já vinha acumulando algumas poupanças, porque era meu sonho ter um regadio para esta actividade agro-pecuária, os fundos do FDEL permitem-me isso”, enfatiza Fissimane.

Exalta a criação de emprego e o efeito multiplicador por detrás da política do FDEL.

“Temos que devolver o financiamento, para que outros jovens consigam aceder ao dinheiro”, ressalva.

“Abri a minha oficina de serralharia” – Samu

Aos 26 anos e depois de ter aprendido e trabalhado com vários “mestres” no distrito da Manhiça, Samu logrou a oportunidade de ter a sua própria oficina de serralharia e trabalhadores, graças ao financiamento que obteve do FDEL.

“Passei por várias serralharias e com o dinheiro pagava os meus estudos. Sou serralheiro já faz muito tempo, mas com o FDEL optei pelo auto-emprego e pela minha própria oficina. Como podem ver, tenho aqui três jovens a trabalhar”, frisa Samu.

Diz que o objectivo é ampliar a oficina.

Mais de 17 milhões alocados no Município da Matola já começam a dar frutos

A cidade da Matola, o maior município de Moçambique e um dos principais centros económicos da província de Maputo, concentrou uma das maiores procuras pelo Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL). Em 2025, foram submetidas 22.297 propostas, das quais apenas 217 projectos foram aprovados, beneficiando de uma dotação superior a 17 milhões de meticais.

No Bairro 1.º de Maio, por exemplo, um jovem aproveitou o financiamento do FDEL para abrir um “car wash”, criando uma actividade que, além de lhe garantir uma fonte de rendimento, já permite empregar outras pessoas.

O negócio ainda está numa fase inicial, mas o beneficiário diz estar satisfeito com a evolução e acredita que o crescimento da actividade poderá beneficiar toda a equipa.

“Apliquei bem o dinheiro e o negócio está a render. Estamos a trabalhar, porque tenho uma equipa com duas pessoas e aqui todos vamos crescer”, destacou.

 “Com dinheiro do FDEL, abri uma banca de fruta”

É o caso de Dinéria Buque, que aproveitou o apoio financeiro para diversificar o seu comércio de produtos alimentares.

Com 75 mil meticais recebidos do FDEL, Dinéria reforçou o stock dos produtos que já comercializava e avançou para uma nova área de negócio, com a abertura de uma banca dedicada à venda de fruta. A iniciativa permitiu-lhe aumentar a variedade de mercadorias disponíveis e alcançar novos clientes.

O investimento representa, para a beneficiária, uma oportunidade de fazer crescer gradualmente uma actividade que já constituía uma fonte de rendimento, apostando na diversificação como forma de aumentar as vendas e melhorar a capacidade de geração de renda.

“Aumentei os produtos que vendo e adquiri uma banca de fruta”, frisa.

Há beneficiários que adiantam dois meses de reembolso

No Município de Boane, as autoridades fazem uma avaliação positiva do impacto do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), apontando a criação de empregos, a geração de renda e o aumento da produção e produtividade entre os principais resultados alcançados pelos projectos financiados.

Para além dos efeitos económicos produzidos pelas iniciativas apoiadas, o município destaca o comportamento dos beneficiários no cumprimento das obrigações de reembolso. Segundo as autoridades locais, alguns empreendedores estão a conseguir gerar receitas suficientes para não apenas cumprir as prestações previstas, mas também antecipar pagamentos.

O vereador de Boane, Agostinho Mucavele, considera este comportamento um indicador do desempenho das actividades financiadas e do potencial de sustentabilidade dos projectos. Há casos, segundo explica, em que os beneficiários chegam a pagar antecipadamente o equivalente a dois meses, reforçando a capacidade de recuperação dos recursos disponibilizados pelo fundo.

“Nós consideramos positivo o impacto do FDEL, porque há pessoas que, para além de pagarem um mês, já adiantaram dois meses”, afirma Mucavele.

O responsável considera que o cumprimento antecipado das obrigações financeiras constitui igualmente um sinal encorajador para o próprio programa, uma vez que a devolução dos valores permite que os recursos continuem a circular e possam, posteriormente, financiar outros empreendedores. O desempenho dos primeiros beneficiários, acrescenta, pode servir ainda de estímulo para os restantes mutuários cumprirem os seus compromissos.

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