IMD defende diálogo e memória colectiva para consolidar paz e reconciliação em Moçambique

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O Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) defende o reforço do diálogo, da inclusão e da preservação da memória colectiva como instrumentos fundamentais para consolidar a paz e a reconciliação em Moçambique. A posição foi defendida durante uma mesa-redonda realizada na Universidade Joaquim Chissano (UJC), em Maputo, no âmbito da disseminação do documentário “Processo de paz e Reconciliação em Moçambique: Lições e Perspectivas”

Em representação do IMD, Hermenegildo Mundlovo, Fidália Macuvele explicou que a iniciativa está inserida no programa ProPaz, que aposta na cultura como instrumento de promoção da paz e reconciliação. Segundo a responsável, o programa procura aproximar comunidades, instituições e diferentes actores sociais, promovendo uma cultura de diálogo, tolerância e resolução pacífica de conflitos.

Macuvele considera o documentário um dos principais legados do ProPaz, por reunir testemunhos e diferentes perspectivas sobre os principais marcos históricos dos processos de paz e reconciliação no país. A produção envolve académicos, líderes religiosos e comunitários, representantes da sociedade civil, jovens e cidadãos de diferentes regiões de Moçambique.

A representante do IMD acrescentou que a iniciativa pretende preservar a memória colectiva e, simultaneamente, criar espaços de reflexão sobre os ganhos e as lições retiradas dos processos de paz, bem como sobre os desafios que ainda persistem no país.

Para o IMD, a consolidação da paz exige o envolvimento colectivo dos diferentes sectores da sociedade, sobretudo no fortalecimento da reconciliação, da coesão social e da reintegração. A organização defende que a paz deve ser construída continuamente através do diálogo, da inclusão nos processos de governação e do respeito pela diversidade.

Universidades chamadas a promover diálogo

Por seu turno, o vice-reitor da Universidade Joaquim Chissano, Carlos Chenga, defendeu que a paz não deve ser entendida apenas como ausência de conflitos ou violência, mas como um processo contínuo que requer diálogo, inclusão, justiça, reconciliação, participação cidadã e respeito pela diversidade.

Chenga desafiou as instituições de ensino superior a assumirem um papel mais activo na promoção do diálogo e da reflexão crítica sobre os principais desafios da sociedade, criando espaços de encontro entre diferentes gerações, sectores e perspectivas.

O académico destacou igualmente a necessidade de maior participação de jovens e mulheres nos processos de diálogo, prevenção de conflitos, reconciliação e desenvolvimento, considerando a cultura, a educação, a cidadania e o conhecimento instrumentos essenciais para uma sociedade mais tolerante, inclusiva e resiliente.

Sociedade civil pede aproveitamento das lições

Já o presidente da Plataforma Provincial de Maputo, Elias Langa, considerou o documentário uma oportunidade para renovar a confiança entre os moçambicanos, fortalecer as instituições democráticas e consolidar a cultura de paz.

Langa defendeu que as informações e experiências reunidas no documentário devem ser aproveitadas pelas instituições públicas na formulação de políticas capazes de promover estabilidade e confiança e prevenir novos ciclos de conflito.

Para o representante da sociedade civil, as organizações deste sector desempenham um papel estratégico por funcionarem como ponte entre as comunidades e as instituições públicas, acompanhando as preocupações dos cidadãos, promovendo educação cívica, fortalecendo a coesão social e contribuindo para a prevenção e mediação de conflitos.

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