Chapo pede à FRELIMO que reconheça erros e abandone o que não funciona

DESTAQUE POLÍTICA
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Daniel Chapo defendeu esta sexta-feira que a FRELIMO deve reconhecer os seus erros, corrigir práticas que não funcionam e abrir espaço à competência, integridade e participação das novas gerações. O Presidente do partido falava em Chimoio, na abertura da 11.ª Conferência Nacional de Quadros, dez anos depois da realização do último encontro do género.

“Ser Partido do Povo, hoje, significa estar onde o Povo está, escutar as suas preocupações, compreender as suas aspirações e transformar essa escuta em políticas e resultados”, afirmou Chapo, antes de acrescentar que isso implica “reconhecer os erros, corrigir o que não funciona, combater práticas que enfraquecem a confiança dos cidadãos e abrir espaço à competência, à integridade, à humildade, à inovação e à participação das novas gerações”.

A mensagem foi retomada pouco depois, quando Chapo apresentou a renovação como uma exigência para um partido que governa Moçambique desde a independência. “A nossa história confere-nos experiência; o futuro exige-nos renovação”, afirmou, repetindo a frase para lhe dar ênfase.

Chapo não identificou, nessa passagem do discurso, os erros que considera terem sido cometidos pela FRELIMO nem as práticas que devem ser abandonadas. Colocou, porém, a mudança no centro daquilo que chamou “fazer diferente para alcançar resultados diferentes”, expressão que tem usado desde que assumiu a Presidência da República.

Na Conferência de Quadros, deu algum conteúdo à fórmula. Fazer diferente, afirmou, exige avaliar aquilo que está a ser feito, preservar o que funciona, corrigir o que funciona mal e abandonar o que deixou de produzir os resultados pretendidos. Algumas dessas mudanças, admitiu, poderão ser duras.

O Presidente da FRELIMO reconheceu também que a mudança encontrará resistência. Apontou instituições onde práticas repetidas, discursos cristalizados e modelos consolidados tendem a reproduzir “estruturas de poder cómodas” e defendeu que dirigentes e instituições abandonem a inacção e as “zonas de conforto”.

A mensagem ganha significado particular numa Conferência destinada a fornecer matéria para as teses do 13.º Congresso. O encontro de Chimoio resulta de um processo de auscultação iniciado em Janeiro nas células e que passou pelos comités de círculo, localidades, zonas, distritos e províncias. Segundo Chapo, as contribuições recolhidas serão discutidas durante a Conferência antes de seguirem para o Comité Central.

O discurso estendeu a exigência de mudança ao funcionamento do Estado. Chapo defendeu uma administração pública assente no mérito e no profissionalismo, com atendimento mais célere, transparente e livre da corrupção, e associou esse objectivo à criação da Inspecção-Geral do Estado.

Também estabeleceu um critério para medir a mudança. Não basta, disse, anunciar novas políticas: as decisões devem produzir “resultados mensuráveis na vida das populações”. Defendeu ainda que governar para o povo já não é suficiente e que o Estado deve governar com o povo, envolvendo os cidadãos nas grandes decisões e prestando contas pelos resultados alcançados.

Chapo colocou, assim, a fasquia da renovação dentro do próprio partido: reconhecer erros, corrigir práticas e abandonar aquilo que deixou de produzir resultados. Não disse quais são esses erros nem identificou as práticas que devem desaparecer. Em Chimoio, deixou a exigência formulada. Caberá à FRELIMO dar-lhe nomes e consequências.

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