ENH quer transformar gás em empregos, indústria e influência regional

ECONOMIA
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Durante anos, o gás natural foi apresentado como uma das grandes promessas de transformação económica. Para a ENH, a verdadeira medida dessa riqueza não estará apenas nos milhões de dólares que o país poderá arrecadar com a exploração dos hidrocarbonetos, mas na capacidade de transformar o gás em empregos para os moçambicanos, acelerar o desenvolvimento nacional e na criação de novas indústrias nacionais. Por outro lado, apesar dos desafios existentes; a ambição é colocar Moçambique no mapa energético da África Austral, para além de levar o gás de Cabo Delgado para o centro e sul do país e, a partir daí, para mercados vizinhos.

Elísio Nuvunga

Criada a 3 de Outubro de 1981, a ENH tornou-se um actor estratégico na participação do Estado na pesquisa, prospecção, produção e comercialização de hidrocarbonetos. Agora, com a perspectiva de retoma e expansão dos grandes projectos de gás na Bacia do Rovuma, a empresa pretende reforçar o seu papel dentro e fora do país.

A visão foi apresentada durante a 61.ª edição da FACIM, em Marracuene, num seminário subordinado ao tema “Hidrocarbonetos como pilar de Desenvolvimento Nacional”.

Titos Nhabomba, director Comercial e Marketing Doméstico e Regional da ENH, defende a criação de infra-estruturas que permitam transformar Moçambique num “hub energético”. Segundo explicou, os projectos das áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma representam uma capacidade de cerca de 900 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia, mas o desafio está em levar esse recurso para além de Cabo Delgado.

“O desafio, na perspectiva de efectivamente nos tornarmos num hub energético, é implantar infra-estruturas que nos permitam usar o recurso a serviço de todo o país”, afirmou.

Neste contexto, a ENH avança com uma infra-estrutura flutuante de recepção e regaseificação de GNL, prevista para a região entre Beira e Inhassoro, que deverá facilitar a distribuição do gás para o centro e sul do país. A empresa pretende igualmente alcançar mercados como Zimbabwe, Malawi e África do Sul.

A ENH aposta também na capacitação de profissionais e empresas nacionais para aumentar a retenção do valor gerado pelos grandes projectos de petróleo e gás. Nilton Cuinhane, director de Conteúdo Local, defende que formar profissionais não basta.

“O factor crítico que nós olhamos na ENH é como garantir a empregabilidade dos profissionais moçambicanos. A palavra-chave para nós é empregabilidade. A nossa expectativa é que, em breve, possamos ter moçambicanos que, além de estarem a ser absorvidos pelos projectos nacionais, possam também, por sua vez, exportar a mão-de-obra”, sublinhou Cuinhane.

A estratégia inclui o projecto Linkar, destinado ao desenvolvimento empresarial, capacitação e certificação de empresas moçambicanas. O programa dispõe de uma base de dados com cerca de 300 empresas e já apoiou a formação e legalização de 12, sobretudo microempresas e startups de Inhambane e Cabo Delgado.

Está igualmente em curso um programa de certificação ISO 9001 para 28 empresas, das quais 12 são lideradas por mulheres.

Para Elton Chemane, presidente da Associação do Conteúdo Local, as empresas moçambicanas estão mais preparadas para integrar a cadeia de fornecimento dos projectos de gás, mas continuam a enfrentar obstáculos como financiamento caro, logística, défice de infra-estruturas e carga fiscal.

“Se não industrializarmos Moçambique, se não tivermos fábricas a produzir cá, vamos reter muito pouco valor”, alertou.

Segundo Chemane, grande parte dos bens utilizados pela indústria continua a ser importada, fazendo com que uma parcela significativa das receitas geradas pelos projectos saia novamente do país. É por isso que a industrialização surge como a grande aposta para transformar o gás em valor nacional.

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