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- Infra-estrurtura vai consumir mais de 47% dos 250 milhões de todo projecto MOVE
- Obra agora lançada em Zimpeto está avaliada em cerca de 119,36 milhões de dólares
- Financiamento global do MOVE Maputo é de 250 milhões de dólares do Banco Mundial
Depois de mais de uma década de projectos, estudos e promessas que não chegaram a transformar a mobilidade na Área Metropolitana de Maputo, o Governo voltou a colocar o Bus Rapid Transit (BRT) na estrada, mas agora já com dinheiro e algumas das obras auxiliares já em fase avançada de execução. As obras arrancaram, oficialmente semana finda, com o lançamento da primeira pedra em Zimpeto, com uma empreitada avaliada em 7.615.671.773,10 meticais, equivalente a cerca de 119,36 milhões de dólares norte-americanos.
Elísio Nuvunga
O lançamento da primeira pedra aconteceu a 17 de Setembro, em Zimpeto, numa cerimónia dirigida pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe. O Governo prevê concluir o projecto em 2028, depois de sucessivos adiamentos das metas inicialmente estabelecidas para a entrada em funcionamento do sistema.
“Hoje não estamos aqui para fazer promessas. Estamos aqui para anunciar a boa nova. Que a obra está a começar”, afirmou João Matlombe, acrescentando que já estavam contratados o empreiteiro e a equipa de fiscalização.
Segundo o governante, o projecto deverá criar um sistema moderno de transporte público para a Área Metropolitana de Maputo, com o objectivo de reduzir os tempos de viagem, descongestionar as principais vias, melhorar a segurança rodoviária e reduzir a emissão de gases poluentes.
A empreitada está avaliada em 7.615.671.773,10 meticais, equivalente a cerca de 119,36 milhões de dólares norte-americanos. O valor da obra é, contudo, diferente dos 250 milhões de dólares frequentemente associados ao BRT. Este último corresponde ao donativo global concedido pelo Banco Mundial ao Projecto de Mobilidade Urbana da Área Metropolitana de Maputo (MOVE Maputo), que inclui, além do BRT, outras componentes de mobilidade urbana, melhorias de estradas, circulação não motorizada e reforço institucional.
Previstos 120 autocarros eléctricos
O projecto prevê a construção de um corredor central segregado para circulação dos autocarros, complementado por rotas alimentadoras. A informação divulgada no lançamento aponta para cerca de 22 quilómetros de corredor central, ligando a Baixa de Maputo à Praça da Juventude, em Magoanine, e à Rotunda de Missão Roque, no Zimpeto, além de 46 quilómetros de rotas alimentadoras não segregadas.
Na componente operacional, está prevista a aquisição de cerca de 120 autocarros eléctricos, equipados com sistemas de bilhética electrónica, localização automática e informação em tempo real aos passageiros. A capacidade estimada do sistema ronda 124 a 125 mil passageiros por dia.
A primeira fase deverá abranger os municípios de Maputo, Matola e Marracuene, com intervenção também relacionada com Matola-Rio no âmbito mais amplo do projecto metropolitano. O MOVE Maputo é implementado pela Agência Metropolitana de Transportes em coordenação com os municípios abrangidos.
O desenho actual é diferente das propostas iniciais. O Banco de Moçambique refere que o projecto, na sua configuração actual, prevê uma rede de seis rotas, ligando a Baixa da Cidade de Maputo a terminais como Albazine, Marracuene, Matola Gare, Praça da Juventude e Zimpeto, além da ligação entre Zona Verde e Praça dos Combatentes.
O actual BRT não nasceu com o Governo de Daniel Chapo e o projecto MOVE no seu global já está em execução desde 2024. A ideia de criar um sistema de transporte rápido por autocarros na Área Metropolitana de Maputo remonta, pelo menos, a 2014, quando estudos da JICA colocaram o BRT entre as soluções para responder ao crescimento da procura de transporte.
Na altura, chegou a ser prevista para 2016 a construção do sistema, num projecto associado à Odebrecht e a um financiamento brasileiro estimado em 225 milhões de dólares, que mais tarde viria a se mostrar subfacturado. O financiamento acabou cancelado, abrindo caminho para novas tentativas de encontrar uma solução para a mobilidade metropolitana.
Antes disso, em 2011, o então ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, esteve ligado a uma proposta de Sistema Integrado de Transportes para Maputo e Matola, desenvolvida com a italiana Salcef. O projecto previa, entre outras componentes, duas linhas de metropolitano de superfície sobre as linhas ferroviárias existentes.
Em 2013, o Governo anulou o processo, alegando incompatibilidade do modelo de financiamento com a realidade do país. A Salcef viria posteriormente a exigir uma indemnização de 100 milhões de euros ao Estado moçambicano.
Em 2018, a solução apresentada era outra. O Governo avançou com o Automated Guideway Transit (AGT), um sistema de transporte não pilotado para o corredor Baixa-Zimpeto.
O projecto tinha uma extensão prevista de 18,1 quilómetros, seria executado em duas fases e teria capacidade para transportar cerca de 112 mil passageiros por dia. A previsão era que começasse a operar em 2023.
O ano chegou, mas o sistema não entrou em funcionamento. Três anos depois, em 2021, surgiu uma nova promessa municipal. O então presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche, apresentou o inusitado FULTRAN, baseado em veículos eléctricos suspensos.
Comiche garantiu publicamente que o projecto seria concretizado até finais de 2022 ou, no máximo, no início de 2023. A promessa também não se materializou.
Refira-se que a actual versão do BRT foi enquadrada no MOVE Maputo, lançado em 2023 com financiamento de 250 milhões de dólares do Banco Mundial. O projecto tinha inicialmente metas de execução mais próximas, mas os atrasos empurraram sucessivamente o calendário.
Agora, com a primeira pedra lançada e os contratos de empreitada e fiscalização assinados, a nova meta é 2028. A questão que permanece é se, desta vez, o calendário será cumprido e se os investimentos anunciados conseguirão finalmente produzir uma mudança concreta no quotidiano de milhares de passageiros que continuam a depender de autocarros insuficientes e dos “chapas” para circular entre Maputo, Matola e Marracuene.



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