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- Com fragilidades expostas, SENSAP precisou de dezenas de horas para debelar o fogo
- Fogo alimentado por produtos químicos e géneros alimentícios deflagrou na noite anterior
- Entre escombros e fumo, populares aproveitam mercadorias que o fogo poupou
Uma madrugada de intensa agonia e destruição marcou as instalações do mercado do Xiquelene, na cidade de Maputo, onde um incêndio de grandes proporções deflagrou e reduziu a cinzas pelo menos 15 barracas e dois armazéns comerciais. A ocorrência, que gerou pânico generalizado entre comerciantes e residentes da zona comercial adjacente à Praça dos Combatentes, mobilizou de imediato os serviços de socorro e expôs a vulnerabilidade das infra-estruturas comerciais face a falhas na rede eléctrica. A situação empurra para a desgraça dezenas de famílias, directa e indirectamente dependentes daqueles empreendimentos hoje reduzidos em cinzas.
Luísa Muhambe
Os dados preliminares recolhidos pelas autoridades no terreno apontam que as chamas teriam tido origem num curto-circuito, provocado por uma ligação eléctrica defeituosa nas imediações do recinto mercantil. A violência do fogo foi impulsionada pela presença de diversos produtos de primeira necessidade, artigos de vestuário, calçado e materiais altamente combustíveis armazenados nos estabelecimentos, o que acelerou a propagação rápida do fogo e consumiu por completo o património de vários comerciantes locais.
A resposta operacional esteve a cargo do Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP), cujos efectivos se deslocaram prontamente para o local após o alerta inicial. A intervenção dos bombeiros prolongou-se de forma contínua e exaustiva para evitar que o incêndio se alastrasse para outras secções do mercado, conseguindo estabilizar a situação operacional, embora os trabalhos de rescaldo tenham continuado a ser necessários devido aos focos de fumo persistentes que saíam do interior das estruturas afectadas.
A população local e os próprios proprietários dos estabelecimentos afectados tentaram uma primeira intervenção de combate às chamas logo após o início do sinistro, mas a rápida combustão de materiais inflamáveis dificultou os esforços iniciais de controlo. Descrevendo os momentos de intensa aflição vividos durante a noite e a madrugada, uma testemunha no local relatou o desespero e a combatibilidade do fogo nos armazéns.
“O fogo começou ontem naquela hora das 23 horas, e até agora ainda não conseguiram controlar as chamas. Ali em baixo estava muito pior porque estes armazéns tinham arroz e óleo, além de sabão e outras coisas que alimentam o fogo com muita intensidade. Mesmo quando se deita água, o fogo voa rapidamente devido à presença de óleos e produtos químicos. A destruição vai daqui até lá em baixo, queimou tudo,” contou Hortêncio Xipanga.
A nossa equipa voltou ao mercado na manhã desta segunda-feira e, no terreno, a situação mantém-se sob monitoração apertada pelas equipas de socorro, que regressaram ao local nas primeiras horas da manhã para consolidar o perímetro de segurança. A verificação visual efectuada permitiu constatar que, apesar de o fogo estar circunscrito, dezenas de populares acorreram ao espaço para tentar recuperar o que restava das mercadorias danificadas, como sacos de arroz, batatas e outros géneros alimentícios.
No que concerne ao balanço oficial das operações de socorro e às diligências técnicas em curso para apurar a origem exacta do sinistro, a porta-voz do SENSAP, Vanessa Chiau, prestou esclarecimentos ao Evidências, ao pormenorizar a cronologia da ocorrência e o esforço desenvolvido pelas equipas de bombeiros desde o momento do alerta até à estabilização da praça comercial.
“O incêndio registou-se cerca das 22 horas, e o SENSAP recebeu a solicitação de emergência, tendo prontamente se feito ao local. Chegado ao local, constatou que o incêndio era de grandes proporções e iniciou com o seu trabalho de extinção,”disse.
A mesma responsável institucional destacou igualmente o papel desempenhado pelos populares na primeira fase da ocorrência, sublinhando a dificuldade inerente à natureza dos materiais combustíveis presentes nos armazéns e detalhando a extensão temporal do combate às chamas.
“Importa frisar que, quando o incêndio deflagrou-se, os populares e proprietários dos estabelecimentos comerciais fizeram uma primeira intervenção de extinção sem sucesso. O SENSAP fez a sua intervenção desde as 22 horas do dia 26 até às 13:40 do dia 27 do mês corrente”, detalhou.
Ao debruçar-se sobre o levantamento preliminar dos prejuízos materiais registados e os passos subsequentes para garantir a segurança pública na zona comercial, a representante do SENSAP concluiu que “dados preliminares apontam 15 barracas e dois armazéns. De referir que os mesmos continham produtos de primeira necessidade e artigos de vestuário e calçado”.
Apesar de o fogo estar aparentemente controlado, a densa fumaça que continua a sair do interior dos estabelecimentos levanta o risco de ressurgimentos das chamas, possibilidade essa que o SENSAP não descarta, tendo garantido que continuará a monitorar a situação com vista a identificar possíveis focos de ressurgimento.
“Uma equipe de combate a incêndio também se fará presente no local para fazer o rescaldo, o qual consiste na verificação de possíveis focos de ressurgimento de incêndio”, garantiu Chiau.



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