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O presidente da Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO), Ossufo Momade, reconheceu a existência de tensões, mágoas e divergências internas no partido, numa altura em que a sua liderança é alvo de contestação desde 2024.
No III Conselho Nacional da formação política, realizado esta quarta-feira, em Maputo, o dirigente apelou ao diálogo, à tolerância e ao respeito pelas diferenças, advertindo contra o risco de as divergências evoluírem para uma ruptura interna.
“Reconheço que vivemos tempos de tensão interna. Reconheço que existem mágoas, ambições e leituras diferentes sobre o rumo do partido. Não vim aqui negar a divergência, porque um partido sem divergência é um partido sem vida”, afirmou Ossufo Momade, perante os delegados reunidos no encontro.
O presidente da RENAMO considerou que a diversidade de opiniões constitui uma expressão de maturidade democrática, mas alertou para os riscos de degradação do debate interno.
“A diversidade de opiniões não é uma fraqueza, é uma prova de maturidade democrática. O que não pode existir é a divergência que se transforma em ruptura, a crítica que se transforma em injúria e o debate que se transforma em guerra interna”, advertiu.
Para ultrapassar o actual momento de tensão, Momade defendeu que a unidade partidária deve assentar na confiança, no diálogo franco, no respeito pelos Estatutos e na capacidade de encontrar soluções colectivas para os problemas que afectam a organização.
Segundo o dirigente, a coesão interna não pode ser alcançada através do silêncio, da exclusão, da agressividade ou do receio de manifestar opiniões contrárias. Pelo contrário, defendeu a necessidade de criar condições para que os membros possam expressar as suas posições sem que as diferenças se convertam em confrontos pessoais.
“Quem pensa diferente de mim não é meu inimigo. É meu colega do partido com outra perspectiva. Aprendamos a discordar sem humilhar, a criticar sem destruir e a vencer um argumento sem aniquilar uma pessoa”, apelou, acrescentando que a tolerância exigida aos outros deve começar dentro da própria organização.
Na sua intervenção, Ossufo Momade evocou ainda a história da RENAMO, marcada por lutas e sacrifícios em defesa da democracia, da liberdade e da participação política, defendendo que esse património deve ser preservado com responsabilidade.
Entretanto, o presidente do partido sublinhou que a preservação do legado histórico não deve significar uma dependência exclusiva das conquistas do passado, mas sim a capacidade de responder às exigências do presente e preparar a organização para os desafios futuros.
“Os cargos passam, mas a instituição prevalece. Nós somos passageiros e a RENAMO é herança. Quem hoje ocupa uma posição amanhã será memória”, declarou.



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